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Na
primeira quinzena de Maio
VI
Encontros de Viana
Cinema e Vídeo
Na sequência da sua linha editorial, a VS&C
reservou este espaço para, tornados dois anos, voltar a abordar
o cinema e vídeo de Viana no âmbito da sua principal associação
– a AoNorte – com a qual tem parcerias estabelecidas. Este ano,
os “Encontros”, mormente a diminuição das verbas, revelou-se um
sucesso conseguindo captar, mais do que nunca, o público galego,
estando a internacionalização deste evento assegurada. Se não
faltarem as notas…
Em Maio, ao longo de
sete dias de actividade, os “VI Encontros de Viana – Cinema e
Vídeo”, organizados pela “AoNorte – Associação de Produção e
Animação Audiovisual” e pela Câmara Municipal de Viana do
Castelo, movimentaram 7821 pessoas em 56 projecções de cinema
divididas por três salas, nos “Olhares Frontais”, nos “Olhares
Etnográficos”, nos “Prémios PrimeirOlhar” (secção competitiva
dos Encontros), nos “Filmes Falados”, “Filmes Premiados”,
“Cinema Infantil”, “+Olhares” e nas “Histórias na Praça”.
O
Presente recentemente…
A secção Olhares Frontais, principal aposta dos “Encontros de
Viana”, contou com a presença de realizadores de cinema e
televisão, professores e alunos da área do audiovisual nacionais
e estrangeiros (dez Escolas nacionais e oito da Galiza),
cineclubistas de Portugal (Cineclube de Amarante, de Monção, do
Barreiro, “Espalhafitas” de Abrantes, de Fafe, do Porto, “Fila
K” de Coimbra, da Guarda, de Torres Novas e de Évora) e da
Galiza (“A Calexa de Lugo”, “Lumiére” de Vigo, de Pontevedra, “A
Adega de Vilagarcia” de Arousa, “Os Chãos” de Ourense, “Padre
Feijoo” de Ourense e Carbaliño), bem como membros da Federação
Portuguesa de Cineclubes e da Federácion de Cineclubs de Galicia,
e outros espectadores interessados no debate do Ensino de cinema
e da produção de cinema documental, salientando-se o aumento de
espectadores oriundos da Galiza.
Das actividades levadas a cabo durante os Olhares Frontais
destaca-se a Master Class dada por José Manuel Costa, assessor
principal da Cinemateca Portuguesa e professor da Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sobre
“Material de Arquivo”, a importância da conservação das imagens,
a sua catalogação, utilização e reutilização na criação de novas
obras.
A exibição e debate de exercícios fílmicos da escola de
cinema da Coreia do Sul (KAFA – The Korean Academy of Film Arts),
da Escola Superior de Cinema da Rússia (VGIK – Russian State
Institute of Cinematography), da EGACI - Escola Superior de
Artes Cinematográficas da Galiza e da Universidade Lusófona
(Departamento de Ciências da Comunicação, Artes e Tecnologias da
Informação), bem como de documentários dos realizadores
convidados Susana de Sousa Dias, Filipe Araújo, Cláudia Varejão,
Sílvia Firmino, Cristiano Civitillo e Mark Wittek foram outros
pontos de interesse dos Olhares Frontais.
Ainda no âmbito desta secção, foram apresentados os Olhares
Etnográficos, onde se debateu a utilização do cinema documental
como instrumento de preservação da memória etnográfica e cuja
programação esteve a cargo da realizadora Catarina Alves Costa,
exibiram documentários de Rossella Schillaci e de João Nicolau.
Balanço
em números
Nas sessões realizadas no Teatro Municipal Sá de Miranda,
vocacionadas para o grande público, os VI Encontros de Viana
registaram 5546 entradas; já o cinema infantil, no Cinema Verde
Viana, teve 1500 espectadores em dez sessões de cinema.
As sessões do Auditório do Grupo Desportivo e Cultural dos
Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, com uma
programação exclusivamente documental, tiveram uma média de
vinte espectadores por sessão, o que tendo em conta o seu
carácter específico, deixa a organização muito satisfeita com a
sua aposta contínua no cinema documental.
Nas “Histórias na Praça”, cem estudantes de escolas de Viana
do Castelo tiveram a oportunidade de realizar pequenos filmes,
com cenário na Praça da República e orientação do realizador
Pedro Sena Nunes.
Finalmente, a secção competitiva PrimeirOlhar, foi um êxito
quer pelo número de filmes candidatos - quarenta - quer pelo
número de espectadores (138) que assistiu à projecção dos cinco
filmes seleccionados a concurso.
Em balanço final, a organização dos VI Encontros de Viana –
Cinema e Vídeo está satisfeita pelo reforço da sua ligação às
escolas da cidade, aos alunos e profissionais de audiovisual,
por ter conseguido manter o vínculo com o grande público de
Viana do Castelo e pelo papel que os Encontros de Viana
representam para a formação de novos públicos e para a chamada
de atenção ao cinema documental; e ainda pelo destaque dado pela
comunicação social local, nacional e da vizinha Galiza ao
evento, reflexo do interesse que cada vez mais vêm despertando
os Encontros de Viana.
O
futuro próximo
Até aos VII Encontros, a Ao Norte segue com a formação e a
sensibilização na área audiovisual, nomeadamente com a “Oficina
da Imagem”; com o projecto “Vídeo na Escola”; com os cursos de
documentarismo “Olhar o Real”; com as Sessões Cineclubistas no
Cinema Verde Viana e com programação regular no Auditório do
Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos Estaleiros
Navais de Viana do Castelo, o núcleo de produção de
documentários para além de outras actividades.
O
Passado e o Presente
ASSOCIAÇÃO AO NORTE
ONZE ANOS DE FILMES
Há
onze anos atrás um grupo de pessoas já envolvido na animação
cinematográfica, em Viana do Castelo, criou uma associação com o
intuito de desenvolver actividades de produção e animação
audiovisual. Mais de uma década volvida, a “AO NORTE –
Associação de Produção e Animação Audiovisual”, conta no
curriculum com centenas de filmes exibidos, dois documentários
de produção própria e outros dois na calha, a organização do
festival “Encontros de Viana”, várias Acções de Formação de
documentarismo para dezenas de formandos, trabalho junto das
escolas da região e um centro de documentação com centenas de
títulos cinematográficos e bibliográficos.
Mais de 500 semanas a
Olhar o Mundo
De todas as actividades, as “Sessões Cineclubistas” são as que
acompanham a associação desde o seu nascimento. Quinhentas e
setenta e duas sessões de pontualidade no Cinema Verde Viana que
permitiram ao público de Viana do Castelo, e muitas vezes de
toda a região, acompanhar cinematografias condenadas a não
cruzar essas paragens de outra forma. Nelas se viu o inaugurar
da nova cinematografia britânica, o crescer do cinema asiático,
os caminhos independentes norte-americanos, a estética Dogma 95
ou as diferentes propostas do cinema português. Lá se assistiram
aos primeiros filmes de Quentin Tarantino ou Jean-Pierre Jeunet,
enquanto se seguiam as carreiras dos consagrados Allen, Coppola,
Godard, Kurosawa, Kieslowski, Wenders, Oliveira...
Ao lado destas sessões e ao longo dos anos, a AO NORTE foi
desenvolvendo outras: extensões de festivais, itinerâncias de
cinematografias mais desconhecidas ou a reposição de filmes num
pioneiro regresso ao cinema ao ar livre pelas localidades do
Alto Minho são exemplos disso. Hoje, o cinema infantil ao ar
livre é uma certeza de cada Verão na cidade de Viana e o
Auditório do Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos
Estaleiros Navais de Viana do Castelo é visita regular e semanal
de ciclos de clássicos de cinema, itinerâncias várias e mostras
de documentarismo, com as Sessões Especiais.
Aprender a
Olhar
Desde 2001 o trabalho da AO NORTE ganhou uma visibilidade
diferente com a primeira edição dos “Encontros de Viana – Cinema
e Vídeo”. Milhares de pessoas passam pelas sessões do Teatro
Municipal Sá de Miranda, há exposições espalhadas pela cidade,
há workshops, há escolas no cinema e há uma secção chamada
“Olhares Frontais”. Com tudo isto, Os “Encontros” pretendem
principalmente atingir dois objectivos: a envolvência da cidade,
e em particular das suas escolas, e a mostra e discussão da
formação audiovisual e do documentarismo.
A
participação da cidade percebe-se nos números: em 2001 a
afluência a todas as actividades ultrapassava as 9000 pessoas,
em 2005 foi além das 10500.
Olhares Frontais
Os
Olhares Frontais, nascidos com a cumplicidade do Pedro Sena
Nunes, são um espaço em crescimento dos Encontros, que se quer
de exibição e de discussão.
As
visões aqui cruzadas em voz e imagem são as de alunos e
professores do meio audiovisual nacional com as de escolas
estrangeiras convidadas cada ano a exibir o seu trabalho e
discutir a sua experiência (já participaram escolas da
Dinamarca, Índia, Suécia, Finlândia, Japão, Polónia, Taiwan e
Espanha), por um lado. Por outro, as de documentaristas e
documentários de Portugal (trabalhos de Pedro Sena Nunes, Sérgio
Tréfaut, Rui Simões, por exemplo) e do mundo (“Être et Avoir”,
de Nicolas Philibert ou “S21”, de Rithy Pahn), foram estreados
em Portugal nos Encontros de Viana, incluídos em mostras das
respectivas obras, e o Movimiento de Documentalistas teve aqui
um ciclo alargado.
O PrimeirOlhar
Em
2005 foi inaugura uma secção competitiva nos Encontros de Viana
– o “Prémio PrimeirOlhar”, com o objectivo de
premiar jovens
realizadores e promover o filme documentário, e destinado ao
melhor documentário realizado por alunos das escolas de cinema,
de audiovisuais e de comunicação, de Portugal e da Galiza.
Participaram cerca de trinta filmes. O júri foi constituído por
Catarina Alves Costa e Sérgio Tréfaut (Portugal) e Joaquin Jordá
(Espanha). O filme vencedor desta edição foi Tamira, de Marta
Santos Lima.
Em
2006, foram criados dois prémios: o “Prémio PrimeirOlhar/Oficial”
e o “Prémio PrimeirOlhar/Cineclubes” em colaboração com a
Federação Portuguesa de Cineclubes e a Federación de Cineclubes
de Galicia. Os filmes vencedores desta edição foram
respectivamente, “Quinta da Curraleira”, de Tiago Hespanha e “A
Ocasião”, de Cláudia Alves e Rita Brás.
Olhar para Dentro
Foi na secção “Olhares Frontais” de 2003 que a AO NORTE mostrou o
primeiro documentário produzido pela sua Oficina da Imagem:
“Contra a Corrente”, de Carlos Eduardo Viana, sobre a luta de
sobrevivência dos engenhos de água nos vales dos rios Coura,
Âncora e Neiva (exibido no FIKE de Évora de 2003 e no Festival
Sequenciacero, de Vigo).
Neste momento, a “Oficina da Imagem” já concluiu a pós-produção de
“O Fole”, um objecto do quotidiano rural, sobre o fole,
saco feito a partir da pele de cabrito, cujo processo de fabrico
corria o risco de se perder. A sua função era a de recipiente
para transporte de cereal, da casa para o moinho sob a forma de
grão, regressando depois já como farinha, pronto para ser
consumido. Tem em produção um trabalho sobre embarcações
tradicionais do rio Lima e outro sobre os moinhos de vento na
freguesia costeira de Carreço, Viana do Castelo, e em
pré-produção um documentário sobre o ciclo do milho, que será
filmado na freguesia de Outeiro. Mas o trabalho da “Oficina da
Imagem”, também pode ser visto nos vários exercícios de fim de
curso que as dezenas de formandos foram completando desde 2001,
exibidos tanto no âmbito dos Encontros como em sessões no
Auditório do GDCTENVC.
Documentários prontos ou em preparação como exercícios de cursos ou
workshops demonstram todo o outro lado menos visível, mas por
aquilo mesmo mais activo: o da formação. Desde a sua criação com
a colaboração da Câmara Municipal de Viana do Castelo, a
“Oficina da Imagem” levou a cabo vários cursos “Olhar o Real”,
ou seja cursos de iniciação ao vídeo na perspectiva do
documentarismo e, em complemento, diversos outros cursos e
workshops de aprofundamento e especialização em cada uma das
vertentes do documentarismo: a operação de câmara, a escrita, o
som, a montagem...
Foi este trabalho que permitiu a constituição de equipas de
produção dos documentários, tem sido este trabalho que tem
assegurado outros workshops levados a cabo por elementos da AO
NORTE e também foi este trabalho que possibilitou o
desenvolvimento do projecto “Vídeo na Escola”, destinado a
escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do Concelho.
O Centro de Documentação iniciado com a sua fundação é o grande
suporte das folhas de sessão editadas por cada uma das 640
sessões cineclubistas e conta hoje com perto de 500 livros, 700
títulos em DVD e VHS e um enorme acervo de revistas, jornais e
outras publicações ligadas ao audiovisual.
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Prémios
atribuídos
Os VI
Encontros de Viana – Cinema e Vídeo atribuíram
Sábado, dia 13 de Maio, os prémios
PrimeirOlhar;
secção competitiva dos Encontros dividida este ano nas
categorias
PrimeirOlhar
e
PrimeirOlhar/Cineclubes.
O Prémio
PrimeirOlhar
foi entregue ao documentário
QUINTA DA
CURRALEIRA,
de Tiago Hespanha, aluno do Programa Gulbenkian
Criatividade e Produção Artística da Fundação Calouste
Gulbenkian e Atelier Varan. Este prémio, no valor de
1000 euros, foi entregue ao vencedor pela Exma.
Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Viana do
Castelo, Dra. Flora Silva.
O
documentário A OCASIÃO, de Cláudia Alves e Rita
Brás, alunas do Curso de Documentário da Videoteca de
Lisboa, venceu na categoria
PrimeirOlhar/Cineclubes,
tendo o respectivo prémio, também no valor de 1000
euros, sido entregue pelo Dr. João Paulo Macedo,
Presidente da Federação Portuguesa de Cineclubes.
O
PrimeirOlhar
premeia documentários realizados por estudantes de
escolas superiores de audiovisual e comunicação social
ou de cursos de formação em documentarismo, de Portugal
e da Galiza.
Nestes
VI Encontros de
Viana
a secção contou com cinco obras a concurso seleccionadas
de um total de quarenta candidatos.
O Júri
Oficial do
PrimeirOlhar
foi
constituído por José Manuel Costa, Margarida Cardoso e
Miguel Anxo Fernández e o Júri Oficial do
PrimeirOlhar/Cineclubes
foi constituído por Alfredo Vasquez Sanjurjo, do
Cineclube A Calexa de Monforte de Lemos e
Vice-presidente da Federação de Cineclubes da Galiza,
por Patrícia Gilvais, do Cineclube do Porto e por Inês
Sofia Freitas, do Cineclube de Amarante.
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