EDITORIAL - TEMA DE CAPA - IMPRENSA - ARQUIVOS - CONTACTOS

 

 Alexandre Marta

 

2006

Tema de Capa Junho

Tema de Capa Julho

Tema de Capa Agosto

Tema de Capa Setembro

Tema de Capa Outubro

Tema de Capa Novembro

Tema de Capa Dezembro

 

2007

Tema de Capa Janeiro

Tema de Capa Fevereiro

Temas de Capa Março

Tema de Capa Abril

 

 

Rubricas

Editorial

Tema de Capa

Pergunta do Mês

Revista de imprensa

Sociedade

Artes

Novas Publicações

Opinião

Retalhos

Poesia

Geração Bit

Imagem

Viana ontem e hoje

Saúde dentária

Agenda Cultural

Humor

Cartoons

Tarot

Concursos

Música - Top Galáxia

Cineclube

Informações Úteis

 

ESTIVÉMOS À CONVERSA COM A “AURORA”

 

Uma entrevista necessária, quanto mais não fosse pela falta de referências mútuas que o jornalismo regional denota.

Atravessando uma nova fase da sua longa vida (150 anos), com reorientações da sua linha editorial, o bissemanário “A Aurora do Lima”, o “decano dos jornais de província”, abriu as suas portas à VS&C para um fim de tarde ameno na sua sala de visitas, com visita às instalações no fim.

Bernardo Barbosa (BB), director do jornal, foi o nosso anfitrião e abriu-nos o castelo: Redacção, serviços administrativos, oficina gráfica, tudo fotograficamente registado durante a visita, com passagem pelos gabinetes de trabalho e salas de arrumos, descortinando relíquias. Vimos tudo! Material a editar, artigos “para a gaveta”, contabilidade, percentagens do Porte-pago … até as folhas de desconto para a Segurança Social e os e-mail’s do Director. Isso fica connosco. Para todos fica a Arte nas paredes, as memórias e as recordações. Para este trabalho, aqui, fica a entrevista. Sobre tudo um pouco…

 

VS&C: Ouvi-o dizer uma vez que não se considera um jornalista; talvez “meio-jornalista”. O que é que isso significa?

BB: Nem meio! Não gosto e abomino o Jornalismo. Tenho carteira de equiparado por questões legais e administrativas. Quando puder desfazer-me daquilo, deito fora.

 

VS&C: Mas porquê isso? Não faz uso da Carteira Profissional?

BB: Porque os jornalistas são veículos do poder e eu sou anti-poder! Na sua deontologia limitam-se e veicular o poder. “Diz-se” para a rua “isto e aquilo” e os jornalistas não têm capacidade crítica, escudando-se na não-opinião profissional. Eu gosto do Sousa Tavares e doutros desses! Escrever mais tarde o que os outros dizem e escrevem, é fácil. Eu sei que o jornalismo tem de ser uma prática inodora, insípida e incolor. Mas também somos anti-poder! Eu, como director, tenho de respeitar esse distanciamento profissional. Mas sem opinião fundamentada, o jornalismo não presta.

 

Não gosto e abomino o Jornalismo

 

VS&C: Não se sente especialmente responsabilizado por dirigir o segundo mais antigo jornal de Portugal, e o primeiro do continente?

BB: Não sinto. É como se fosse o último dos jornais ou qualquer outro. Isso não me diz nada e não sinto qualquer forma de vaidade. A “Aurora do Lima” será sempre o jornal que foi. Tenho humildade nesse aspecto. Estou a cumprir uma herança e devia estar a gozar as minhas férias. Talvez seja um pouco de vingança o que causei a mim próprio...

 

VS&C: Já vamos a isso, mais adiante. Por agora, como é que vão os assuntos do jornal? A questão do Porte-pago, por exemplo…

BB: Sou pelo fim do porte pago. Esta sustentabilidade artificial por parte do Estado (se bem que de apenas 10 milhões de euros, o que não é muito) tem de acabar porque qualquer um funda um jornal de borla, assim. Estamos tranquilos porque as pessoas querem a “Aurora”. Mandamos os avisos de pagamento das assinaturas e as pessoas pagam. E agora só toca viola quem tem unhas! Este partido socialista (que não o é), está a pôr as regras claras: este é um liberalismo claro, claríssimo! “Quem quiser desempregar que desempregue”, é só o que falta para a total liberalização. Nós pagamos oito mil e tal euros em salários e descontos. E isso é pago pelas assinaturas e pela publicidade, que tem feed-back. Anunciamos uma ou outra vez, o anúncio sai duas ou três vezes e dá resultado.

 

VS&C: Como justifica o facto de que a “Aurora” dar, muito frequentemente, preponderância à opinião, em detrimento do facto noticioso, fazendo primeiras páginas mais com a primeira do que com a segunda, como se imporia?

BB: A notícia da “Aurora”, ou noutro jornal regional qualquer, é pretensiosa e requentada! Se queremos noticiar algo de novo, isso é uma ilusão, porque é impossível. O jornal de amanhã está ser feito hoje e a notícia já deu, na hora, na rádio e na televisão. Nós, jornais, só vimos depois. Material inédito só com confidencialidade. De facto, não podemos ser noticiosos, porque é sempre o facto passado, ou então o que a rádio ou a TV deixaram escapar. Temos de ser o que está no resumo de matérias e afectos. E por isso os leitores da “Aurora” são de uma certa idade. É lida por pessoas para cima de 40 anos.

 

VS&C: Nunca nos últimos anos, como acontece actualmente, a intervenção editorial da “Aurora” foi tão forte, chegando agora ao confronto directo com forças autárquicas, políticas, económicas… e, se, eventualmente, não revelará propriamente preferências, revela, sem dúvida, forte oposição a muitas e sucessivas iniciativas políticas, quer seja no plano das estratégias gerais de desenvolvimento, aos pequenos erros de gestão. Se, antes, eram os colaboradores que estavam na linha da frente da opinião, agora é o director do jornal. A que se deve esta mudança?

BB: Porque este director deste jornal tem uma formação política de raiz, que o vacinou contra qualquer poder político-partidário. E o que me aflige mais é o poder, pois qualquer forma de poder é perversa.

 

O executivo, no seu conjunto tem o mais positivo balanço de todos os executivos

 

VS&C: Noto algum discurso, contido nos seus editoriais, tipicamente anárquico…

BB: Tipicamente anarquistas!... Não são, mas eles, os anarquistas, aperceberam-se disto, dos problemas que falo. Ouvi quem fosse comunista ferrenho e, depois de alcançar o poder, corromper-se. “Deixei de telefonar, de conduzir, estou absorvido pelo poder”. E por isso são todos derrotados pelo poder. No último editorial que escrevi acerca do coliseu de Viana, falei disso. E não há grandes reacções! As pessoas lêem e engolem em seco!… Mas é o jornalismo regional que vai competir com aquele nacional que acaba por ser dominado pelo poder político. O Belmiro não largou o governo desde que este lhe impediu a OPA. São esses que estão a ganhar, e a IR, noutros moldes, vai lutar contra esses grandes grupos que tomaram conta dos jornais nacionais. A mnós, “Aurora”, compete-nos ser interventivos e fazer a defesa das pessoas e da cidade.

 

VS&C: Entendia, portanto, que era uma área de intervenção do jornal que não estava cumprida a nível dos seus responsáveis editoriais…

BB: Porque dantes não havia essa capacidade. Os directores que por cá passaram talvez tivessem tido medo de entrar nesse confronto. Mas eu não vou desistir das minhas guerras. Não vou desistir, por exemplo, quanto mudaram os limite de 50 para 70 km/h., na estrada da Areosa. Desculparam-se dizendo que davam cabo dos semáforos. Não pode ser desculpa, senão deixa de existir Estado! O nosso coliseu vai custar 10 milhões e 800 mil euros! Para que é precisamos de um coliseu? Porque não restaurar o “escarro” que é a praça de touros? E outras coisas?… A IR é para isso! Porque é que perversamente se destrói um mercado para construir outro? Agora, o Executivo foi obrigado a comprar o antigo edifício da EPAC. Isto foi sempre a tapar buracos com a venda disto e daquilo. Para que se fazem contas de merceeiro?

 

VS&C: Mas não é isso governar?…

BB: Por vezes é necessário, mas não assim se for perverso, como o caso do mercado! Se tivesse sido logo comprado… Tirou-se o mercado e matou-se o sítio! O outro não tem localização estratégica. O que me aflige nisto tudo é que me sinto como uma oposição. Mas também não há capacidade política por parte da própria oposição de dar a volta às coisas. Muitos dos próprios opositores dependem da Câmara. Comércio, negócios, etc…., é complicado.

 

VS&C: Que balanço geral faz da linha de actuação deste executivo camarário neste último mandato? Positivo, sofrível, negativo?…

BB: O executivo no seu conjunto tem o mais positivo balanço de todos, dos antigos. Também sob o chapéu-de-chuva do Polis, aparte o problema do prédio do Coutinho, que foi uma perda pessoal para o presidente (ainda pode ganhar). E concorrendo, vai ganhar as eleições. É imbatível! E é o ideal para lidar com galegos (somos nós) porque não reagem. O galego é oportunista. O Moura sabe ir de encontro àquilo que a pessoas querem. Sabe o que as pessoas gostam de ter e ver. Por isso não há reacções, engolem em seco. Aquele tem razão, o opositor, mas calam-se. Temos atitudes galegas (em formação cívica, etc.), estamos sempre ao sabor das circunstâncias. Nos protestos que se fazem acerca das obras da ponte Eiffel, o presidente foi tão habilidoso que tomou conta da iniciativa “popular”. Foi um golpe político brilhante.

 

Sem o Polis, Defensor Moura não teria feito metade

 

VS&C: Não concorda, a título de cômputo geral, que, à excepção do tempo da Comissão Administrativa de 1974/76, nunca tanto tinha sido feito nesta cidade? Com todos os problemas decorrentes de se estar a fazer em meia-dúzia de anos aquilo que deveria ter sido feito ao longo de vinte anos?

BB: Está-se a fazer mas também houve dinheiro. O Polis alterou a cidade toda e, sem isso, Defensor Moura nem teria feito metade. Claro que grandes obras dão problemas, como a pedonal do café Girassol… Coisas como tirar os carros da cidade é um problema complicado, mas não adianta dar conselhos ao Executivo, pois ideias que vêem de fora não são concretizadas. Deve haver parques nas cidades, sim senhor, em Viana a norte, a sul e, também, na nascente, mesmo por causa de Santa Luzia… mas têm de ser gratuitos, com circuito urbano permanente, de borla, que distribua as pessoas, pelo menos no inverno (no verão a cidade faz-se bem a pé). Trazer crianças no carro para os infantários é necessário. E os pais vão pagar avença à parte, com o estacionamento pago? A cidade está morta depois das 20.00h, queixa-se o presidente, porque foi tudo para a periferia e já não se vem tomar café à noite e a cidade fica vazia. Tudo grandes problemas que vem da falta de dinheiro, falta essa que também vem da corrupção e da fuga aos impostos. Daí a crise e a concentração do grande capital. Toda vida o “galego” - nós, os galegos -, viveu do “jeitinho”, das amizades, da fuga ao imposto aqui e ali… Há americanos a estudar este fenómeno no Brasil. Mas o que é que se quer conseguir, desta maneira? A minha fatia para os descontos em geral, sobre os vencimentos que pago, é de cerca de 36% dos gastos com salários…

 

VS&C: Como é que vê a recente entrada da Enercon e de toda a indústria ligada ao sector eólico? Pergunto-lhe isto pois, nos seus artigos, transparece alguma desconfiança relativamente a estas indústrias, o que já não acontece no que toca aos ENVC ou à Portucel onde parece ter mais confiança…

BB: Não tenho qualquer desconfiança, antes pelo contrário. Talvez no princípio. Acho que é um alívio do ponto de vista para a cidade. Duvidei, no princípio, que essa indústria viesse para cá a nível de concurso, até porque a questão dos terrenos dos ENVC poderia gorar muita coisa. Mas eles estão a instalar-se como deve ser, à moda alemã. Estão a fazer as coisas bem feitas.

 

VS&C: Mas não concorda que a criação de mais de um milhar de empregos directos podem virar a face da cidade, tal como aconteceu com o advento dos Estaleiros Navais, nos idos de 40/60 e, mais tarde, da Celnorte, na década de 60/70?

BB: Pode sim. Mas não creio na propensão deste executivo camarário no que toca à indústria. Às tantas poderia ter acontecido o que foi dito da indústria da celulose em que Defensor Moura afirmou que, se fosse no tempo dele, talvez não viesse para cá. Houve jornais a fazerem parangonas com isso. Mas há títulos que leio e que não punha na “Aurora”. Repare, esta era uma cidade feudal, com um conjunto de famílias que dominavam todas as áreas. Viana sempre foi assim até chegarem essas indústrias que proletarizaram o meio, os ENVC e a Celnorte, agora Portucel. Dominava o lavrador com o grande sentido da propriedade que o agricultor tem, lavrador dessas tais famílias que são refractárias a todas essas ideias proletárias. Viviam do seu e conservavam a propriedade de que se sustinham.

 

Tenho espírito aberto e até mais do que se pensa

 

VS&C: Tem uns colaboradores que são marca especial na “Aurora”…

BB: Tenho de conviver com eles com espírito aberto como tenho, e até mais do que se pensa. Sou aberto às ideias e há pessoas que trazem consigo uma marca que se encastoam. Há que respeitar isso! E há muitos leitores que gostam deles.

 

VS&C: Face a algumas críticas à orientação editorial do jornal quando assumiu o cargo de director, respondeu que “A Aurora do Lima” é um “jornal de afectos”. O que é isto de um jornal de afectos?

BB: É uma característica do jornalismo regional. O Mencia Lago, o desportista dos anos 50, veio de Espanha pagar a assinatura da “Aurora” porque tem uma ligação afectiva à cidade, que expressa, também, através da assinatura do jornal - mas outros, conhecidos, recebem e não pagam… há anos . São conteúdos do filho abraçado pelo pai na natação, o fecho da “Casa Aires”… Tudo isto é afectos, também com os seus assuntos de opinião intemporais. etc. E por isso se vê a ler a”Aurora” os maiores de 40.

 

VS&C: E acha que o que agora tem 30 anos, aos 40 vai ler a ”Aurora”?

BB: Vai! Tem sido sempre assim.

 

VS&C: Mas estes “afectos” que dominam, que caracterizam as páginas da “Aurora”, não entram em choque com a maioria dos conceitos jornalísticos?

BB: Entram! É por isso que sou anti-jornalista. Nunca tivemos jornalistas no quadro, só muito recentemente metemos um, e metemo-lo para termos dois no quadro. Jornalista para quê? Não é preciso. As grandes notícias do momento, essas entram-nos em casa por outros meios e, por isso mesmo, o grande peso das memórias, da opinião, na “Aurora”, e nos jornais regionais em geral. Nós nunca tivemos editorialistas que não colaboradores. Fui o primeiro director da “Aurora” a fazer editoriais e, aí, é a defesa intransigente da cidade, onde se aponta os erros do poder, de tal modo a que não dê lugar a direito de resposta. Claro que me dizem que, assim, me exponho muito…

 

A “Aurora” não serve um meio intelectual ou científico, mas serve um meio rural

 

VS&C: Nós, como VS&C, fazemos permutas com jornais regionais de todo o país. São, geralmente, semanários na ordem das 36/48 páginas, com quadros de jornalistas profissionalmente "encarteirados" - um, dois, três, jovens e mais -, com formação universitária, bem dirigidos e, muitos, excelentemente paginados. Também com bastante profusão de cor. Muitos títulos noticiosos, de cidades como Mirandela, Bragança, Guarda, Castelo Branco. Viana do Castelo não tem nada parecido e o único jornal que consegue esse alcance é o “Alto Minho”, aliás muito bem implantado no concelho de Viana do Castelo, com o “Notícias dos Arcos”, a nível de distrito, logo atrás. A “A Aurora do Lima”, até pelo seu historial, não deveria estar a liderar o jornalismo no distrito?

BB: A “Aurora” tem de reflectir o meio cultural em que se insere. Não serve um meio intelectual ou científico, mas serve um meio rural, o que é um facto. Temos os correspondentes das freguesias e uma forte implantação de assinaturas no concelho. Temos de ir encontro à fasquia, que está baixa. Se tentarmos subi-la, corremos o risco de não sermos entendidos. Temos de estar de acordo com o que os leitores querem. A televisão fez o mesmo. Temos procurado subir a fasquia, mas é difícil. Passamos a ter uma orientação de edição, já com três páginas para notícias. A opinião foi para a quarta página. E depois vem a parte desportiva, com desportos ditos “menores”. E a publicidade, claro. Na última, estão os flashes. O “Alto Minho” é um jornal de banca, tem de atrair pelos títulos: futebol, o sexo ou o escândalo. Nós nunca publicaríamos certos títulos de imprensa que aí temos visto. Preferimos a crítica serena e objectiva, do que estar agora a emparelhar frases fora do contexto.

 

VS&C: Há quem tenha a opinião de que as suas opiniões expressas nos seus artigos (editoriais?) vão além do jornalismo. Como comenta?

BB: Os meus artigos são o meu sentimento, aquele que eu tenho e que reflecte a minha independência e defesa da região. O que eu aponto de errado está de acordo com a linha editorial do título, com toda a independência. Também faço elogio, quando é preciso dizer bem. Os feedbak’s é que são poucos, por escrito, note-se, porque “de boca” dizem-me para não deixar de o fazer.

 

VS&C: Foi “fácil” entrar nas funções de director?

BB: Foi, já praticava… Mas só faço isso! Da parte administrativa trata o meu irmão. E está tudo bem.

 

Gostaria de ter alguém que me substituísse

 

VS&C: O que é que entende que mudou, inequivocamente, quando assumiu a direcção do jornal?

BB: A compartimentação temática e uma maior preponderância da notícia.

 

VS&C: São de esperar alterações quanto “à forma e ao feitio” da “Aurora”? O que esperar no futuro próximo?

BB: Não sei. Eu gostava de pensar que a “Aurora” não ia depender muito de quem a dirigia a nível editorial, queria alguém que a aguentasse, um director que fosse um colector de textos no sentido de os juntar e de os editar, apreciando-os e aglutinando-os num corpo. Que fosse auto-sustentável. Mas isto depende dos homens, das pessoas… Gostaria era de ter alguém que me substituísse, estou disponível para ser substituído. A aventura não me está a saber bem e preciso descansar. Estou com 67 anos. Claro que há um certo gozo com o poder, mas isso traz-me grande desgaste e à minha mulher também. Era tratarmos das vacinas, tirarmos o passaporte… Tenho um amigo meu que foi à China.

 

VS&C: O que é que faltou perguntar nesta entrevista?

BB: Nada, foi exaustiva.

 

 

 

 

EDITORIAL - TEMA DE CAPA - IMPRENSA - ARQUIVOS - CONTACTOS

Topo