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Temos assistido, com muitos sorrisos
à mistura, ao evoluir da questão em torno do novo parque
biológico e centro de monitorização ambiental da cidade, nas
antigas azenhas do Prior, que se prende com o assunto do seu
taxamento ao utente e que tantos brados tem causado.
De facto parece ser unânime que se
trata de um escândalo maior, entre outros adjectivos mais
sonantes, mas não podíamos estar mais em desacordo, até pelas
formas como a medida do executivo camarário tem vindo a ser
contestada.
Na verdade, o que aconteceu é que
enquanto as obras não arrancavam e depois de começarem, o novo
espaço (novo, não esqueçamos, que para ali não ia ninguém!...)
foi propalado para todos os lados como mais um magnífico exemplo
das façanhas do Polis e permitiram que a comunicação social,
especialmente ao nível dos seus articulistas e publicistas, lhe
andasse a chamar “novo parque da cidade” com toda a propriedade,
disso convencendo as pessoas. Agora, a pouco tempo da sua
abertura, o presidente diz - parecendo de repente - que vai ser
a “pagantes” e o pessoal desaustinou reclamando que lhe queriam
tirar aquilo que era dele.
O erro político foi crasso, porque
não se chegou a explicar a política para o local. De propósito,
ou não, que o problema do Coutinho, do largo das Almas e do
bairro do Campo d’Agonia, entre outros, já agoniavam e não era
preciso mais um. Mas não avisar a tempo nestes casos, paga-se.
E estes erros pagam-se mesmo, de
resto como temos vindo a assistir por parte da oposição, que tem
zurzido e executivo camarário forte e feio, designadamente o seu
presidente, como não podia deixar de ser, e até parecendo que
tem toda a razão.
Mas mais não se trata do que crítica
fácil à equipe de Defensor Moura que abriu triste totalmente o
flanco e que depois, já tarde, veio explicar um pouco
atabalhoadamente que aquilo afinal é um parque biológico, que o
pagamento das entradas servirá para a sua manutenção, que haverá
um cartão de identificação com descontos para os utilizadores
mais frequentes, aos idosos e coisa e tal, e ainda que assim se
poderá saber quem estraga os equipamentos através da tal
identificação… Pois claro que serão os utilizadores frequentes e
devidamente identificados que lá irão partir tudo, os animais…
enfim, foi pior a emenda do que o soneto e, por isso, tudo o que
temos lido, ouvido e assistido em torno do caso.
Parece-nos claro que o que devia ter
sido dito imediatamente às pessoas é que a área agora recuperada
se trata, efectivamente, de um Parque Biológico com um Centro de
Monitorização Ambiental, ou seja, um espaço onde foram
investidos avultados fundos e onde haverá funcionários
permanentes que zelem pela integridade da área e pela segurança
dos utentes, em áreas perfeitamente delineadas e que não devem
ser ultrapassadas. Local este que está inserido, isso sim, no
Parque da Cidade que não existe só. As pessoas tem ainda toda a
frente da marina, as praias, o monte de Santa Luzia, os jardins,
os parques infantis… E nem todas as cidades podem ter um Parque
Biológico que é uma coisa muito cara.
No Parque da Cidade, que está e
sempre esteve aberto às pessoas, que enche durante todo o Verão
de forasteiros de barraca e fogareiro, onde ao longo do ano, por
vários fins-de-semana, chegam grupos de turistas em autocarros,
aos magotes, e que se juntam em números na casa das dezenas - já
lá contámos, num sábado do ano passado, 47 autocarros de
passageiros; multiplicando pelos 52 passageiros… já se está a
ver –vamos ter, também, um Parque Biológico, uma área de visita
mas sujeita a algum recolhimento e protecção dos utilizadores,
onde o número de utilizadores simultâneos não deverá exceder
certo e determinado número, que, para além do projectado, poderá
vir a ser incrementado de outras formas como com o aumento das
espécies animais e introdução de outras vegetais.
E com certeza que achamos que não
vamos querer ver aquilo tudo invadido por hordas fim-de-semana.
Viana é muito pequena e com uma
percentagem de funcionalismo muito forte na população activa,
para que possa dispor do número suficiente de membros da
sociedade civil com efectiva independência de forma a que se
possa exercer, de facto, uma oposição forte, perene, contínua,
criando nichos políticos de combate, enfim, uma oposição
sustentada.
O discurso do primeiro-ministro é
vazio de conteúdo, nada objectiva, tudo relativiza, tudo
generaliza em chavões de “desenvolvimento”, “modernidade”, sem
nada explicar; um enorme balão de ar, vazio de conteúdo,
transparente mas o suficientemente diáfano para que não se possa
vislumbrar o que está do outro lado.
To:
Petição à
Assembleia da República Portuguesa
Excelentíssimo Senhor
Presidente da Assembleia da República
Os abaixo assinados, por iniciativa do Agrupamento Político do
CDS-PP na Assembleia Municipal de Viana do Castelo, vêm expor e
peticionar perante Vossa Excelência o seguinte:
A Câmara Municipal de Viana do Castelo, no quadro do
desenvolvimento do Programa Polis em Viana do Castelo, pretende
taxar ao público a entrada no ' Parque da Cidade ' de Viana do
Castelo, objecto e intervenção pela sociedade gestora do Polis
no concelho.
Apresenta-se, contudo, tal decisão política, contrária aos
objectivos que se inscrevem no Plano de Pormenor daquele espaço
em edificação e ainda aos fundamentos que serviram de base à
expropriação dos terrenos integrados na área do referido parque.
Assim,
considerando que:
1. O Plano de Urbanização da Cidade de Viana do Castelo,
ratificado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 92/99,
publicado no Diário da República I - B Série, de 13 de Agosto de
1999, tipifica aquele espaço como “Zonas públicas para recreio e
lazer”;
2. A declaração de utilidade pública das parcelas de terrenos
expropriadas, de Sua Excelência o Ministro do Ambiente, do
Território e do Desenvolvimento Regional, por despacho nº
17975/2005 (2ª série), de 8 de Julho, publicada em Diário da
República, II Série, nº 160, de 22 de Agosto de 2005, explicita,
“com os fundamentos constantes da informação nº 186/DST, de 24
de Junho de 2005, da Direcção Geral do Ordenamento do Território
e Desenvolvimento Urbano” a “utilidade pública da expropriação,
com carácter de urgência, das 57 parcelas identificadas no
mapa”… “destinadas à concretização de uma operação de
recuperação ambiental e de reordenamento urbano, envolvendo a
construção de espaços públicos, de áreas verdes”;
3. O inscrito na introdução do PLANO DE PORMENOR do PARQUE DA
CIDADE DE VIANA DO CASTELO, onde constam argumentos e objectivos
persecutórios e norteadores de condições de equidade e de
gratuitidade para a fruição daquele espaço pelos cidadãos:
“importantes equipamentos públicos e edifícios de variado uso,
valor patrimonial e estado de conservação, esta área possui
excelentes condições para potenciar o surgimento de um valioso
espaço de convivialidade e animação urbana, de formação e
informação ambiental e de fruição e contacto com o Rio e com a
natureza, contribuindo para o fortalecimento da identidade e
competitividade urbana de Viana do Castelo e para o reforço da
sua afirmação regional” … “O estacionamento deverá ser
criteriosamente localizado junto dos equipamentos de maior
frequência de utilização, mas de modo a não prejudicar a leitura
do espaço. O acesso ao Parque da Cidade deverá ser integrado no
sistema de transportes públicos como forma de incentivar o seu
usufruto pela população local e visitante.”…”Considera-se da
maior importância o desenho dos caminhos pedonais e das vias
destinadas a bicicletas, patins e skates, que assegurarão uma
rápida circulação por toda a zona e , em especial no Parque
Urbano, e que deverão dar continuidade ao esquema de circulação
pedonal previsto para a restante Zona Ribeirinha e Centro
Histórico.”
4. No artº 17º do regulamento do projectado equipamento se lê
que “Os espaços delimitados na Planta de Implantação como Área
Verde de Recreio e Lazer [..] são destinados ao recreio e lazer
dos cidadãos, com uma forte componente de educação e formação
cívica, cientifica e estética.”;
5. Por todo o plano são sucessivas e repetidas expressões como
“A construção de um espaço, que embora subordinado à temática
ambiental, responda e atraia públicos diversos e promova o
convívio intergeracional.”, “Este projecto pretende dar resposta
a um conjunto vasto de utentes, desde aqueles que procuram o
convívio com a natureza, de uma forma mais ou menos enquadrada
em actividades de educação ambiental, passando por aqueles que
querem permanecer no Parque durante um determinado período de
tempo, participando na sua gestão, praticando jogging,
utilizando os parques de merendas, trabalhando nas hortas,
utilizando os espaços de leitura, indo ao bar ouvindo música,
etc.”, ou ”Não é assim, uma proposta direccionada para o público
de determinada faixa etária, mas sim para um público
diversificado, que pode vir ao Parque individualmente, em grupo,
ou no âmbito familiar.”;
6. Os poderes públicos devem ser leais às promessas e aos
programas que dinamizam com os dinheiros públicos, dos
contribuintes;
7. É necessário assegurar em todo o território, e nos diversos
sectores de acção e intervenção das autarquias locais, a
garantia dos princípios constitucionais, em particular a
construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
Que com a esclarecida intervenção de Vossa Excelência seja
agendada sessão, em sede de comissão ou em plenário, nos termos
do Regimento da Assembleia da República, para debate e votação
de instrumentos regimentais, sobre o objecto da presente
petição.
Assinaturas)
Nome; profissão; bilhete de identidade; local; endereço de
correio electrónico)
Sincerely,
O
Director
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