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LIVRO DE VERSOS
(XII)
- Segundo -
(Poesia Solta/1986)

Sentimento de afeição profunda,
Jogo de sussurros e fulgores,
Entre dois seres que se deleitam
Fadando entre si os louvores
De recompensas por seus ardores.
Por baixo da árvore cantante
Vibram liras de sonho e amor,
Os beijos ressoam na paisagem;
Delicado o perfume da flor
Que enobrece esta cena de calor.
Vénus e Cupido pairam
Lá nos firmes céus celestes
Agita-se o nobre azul dos céus
Sob o delírio do Amor da Vida
Como um juízo nunca cumprido.
Foi apartado o final p’los véus
Duma força sublime fugida
Da minh’alma que a olha sisudo,
E que não venera o seu esplendor
E se lhe recusa um só sorriso
Que nela não vê nem baça cor.
Eu olho o eterno firmamento
Inalterável, inatingível,
Seus coros magníficos aumentam
O brado da força de um momento
Fazendo doer no meu coração
Um choro triste há muito escondido
Já por mim tomado de perdido.
O insigne gorjeio de um rouxinol
Pungente de sua melodia
Que, serena, fica por momentos,
Como penhor de meus sentimentos;
Uma nova aurora para mim sorriu,
Céus celestes surgiram doirados
Como uma madrugada a que assisto
Repleta de raios consagrados,
Excelsos, de beleza tomados.
Vénus e Cupido pairam
Lá nos firmes céus celestes
Já não vacilo no fundamento
Que imprime em meu espírito alado
Novo Oriente, firmamento
Único, só por mim admirado.
Bendito para mim seja o unguento
Que sara à cútis o sofrimento
E à alma o maldito tormento.
Este corpo, agora destemido,
Vibra com o sol que ora aquece
Eternamente; ao astro erguido
Um pensamento é devolvido
E o mundo já parece florir
(mal seja esta minha incerteza),
A meus olhos que, já não nublados,
São tomados de pura beleza
Ao prodígio que é a Natureza.
Vénus e Cupido pairam
Lá nos firmes céus celestes
*Terminado aos dezoito dias de Fevereiro de 1986
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