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ENTENDE DISPÔR DAS NECESSÁRIAS COMPETÊNCIAS PARA AVALIAR OS
PROFESSORES DOS SEUS FILHOS?
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Pedro Carvalho, Cartunista ,
Barcelos
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Apesar de não ser pai, acho
que não compete apenas ao Encarregado de Educação fazer
essa avaliação. Poderá sempre achar pelo que criticar,
por este ou aquele motivo, uma determinada acção dos
professores e talvez com isso ajudar o desempenho do
aluno. Mas duvido muito que metade dos pais iram "dar-se
ao trabalho" de fazer essa avaliação, pois o insucesso
escolar também se deve ao desinteresse desses mesmos, e
de um ambiente familiar pouco orientado na melhoria ou
ajuda ao aluno. Concordo mais com uma avaliação séria e
rigorosa feita a partir do interior da própria escola,
já que um professor para exercer essa mesma função terá
que ter todas as aptidões para de uma melhor forma
conseguir comunicar e passar para o aluno a matéria em
questão, tendo em conta que cada aluno é um caso
diferente. Nos dias de hoje cada vez mais a comunicação
ou a falta dela afasta os pais e professores dos alunos,
e eu mais do que olhar para esta questão na perspectiva
de avaliar os professores, acho que seria mais benéfico
uma ajuda mútua para dessa maneira tentar melhorar o
desempenho do aluno.
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Maria da Paz Gonçalves,
Empregada de Comércio, St.ª Maria Maior |
É
um tema de interesse, mas problemático, porque meter
pais e professores dá sempre origem a confusões, uma vez
que os pais defendem uma das partes, sendo sempre
interessados, tal como os próprios professores. E tudo
isto com os alunos no meio… Por isso mesmo não me sinto
à-vontade com a questão. Claro que cada pai pode avaliar
parâmetros como a assiduidade do professor, mas pouco
mais do que isso, tal como, talvez, a sua atitude para
com a turma, ou, mais exactamente, para com o seu filho
ou filha. Enfim, é um tema que dá “pano para mangas” e
pode ainda vir a dar muito que falar, dependerá da forma
como for conduzido. Se calhar, até me sinto no direito
de julgar os professores do meu filho, mas não sei até
que ponto é que tenho o direito de avaliar docentes.
Tenho sempre de me perguntar até que ponto o posso
fazer. Se, em termos gerais, muitos dos pais não estão
atentos à vida escolar e, muitas das vezes, pessoal dos
seus filhos, que direito terão em fazer a avaliação dos
seus professores?...
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Professor profissionalizado
e Encarregado de Educação devidamente identificado |
Dadas as actuais circunstâncias de perseguição à minha
classe, receio dar uma resposta à questão. Contudo, não
duvido da sua inexequibilidade prática dado vários
factores mas dos quais destaco, na minha experiência de
mais de quinze anos na profissão: que menos de cinco por
cento dos pais acompanham verdadeiramente a vida escolar
dos seus filhos, sendo que muitos desses são, eles
próprios, casos de insucesso escolar e que alguns deles
quando entram na escola dos seus filhos é para empolarem
problemas, quando não são eles mesmos a virarem os seus
educandos contra a escola, no seu todo ou em parte;
também o facto de não possuírem competências (quer como
educadores que deveriam ser não o sendo muitos) para o
efeito, distorcendo, então, os factos e circunstâncias a
julgamento. Vou eu criticar o médico, o arquitecto ou o
juiz? Muitas vezes apetece, mas auto-censuro-me, pois
não quero passar por néscio. Avalie-se, primeiro, os
sucessivos ministérios da Educação, sejam do PS ou do
PSD, só nos últimos vinte anos, e o estado da Educação
no momento. E depois atirem as pedras.
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