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Caracala,
o Exterminador |
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O nosso povo conhece mal a
Cultura Latina e o pouco que sabe é o que lhe tem sido contado
pela Igreja Católica - que faz vista grossa a muitas
barbaridades praticadas por alguns imperadores romanos)…
A vida e os feitos do imperador romano Caracala são disso um
triste exemplo. É por isso que nós detestamos, hoje, quaisquer
atitudes imperialistas ou ditatoriais, quer elas venham em nome
da direita ou da esquerda (que ao fim e ao cabo se identificam
perfeitamente).
O Fratricida
Caracala (Marco Aurélio Antonino Basiano, chamado de) é um dos
imperadores romanos dos séc.s II-III (188-217), filho
primogénito do imperador Septímio Severo e de Júlia Domena. O
cognome de Caracala vem-lhe duma espécie de capa que ele sempre
costumava usar e que, um tanto à moda de Francisco de Assis,
também costumava distribuir amiúde pelo povo romano. No entanto,
a sua maldade nada tinha a ver com a capa, mas antes com a sua
índole de malvadez, que caracterizou o seu reinado em termos de
prepotência e crueldade desmesuradas. Seguindo o costume
selvagem muito em uso nos finais do império, Caracala tentou
assassinar o seu próprio pai, depois sublevou o próprio exército
contra ele; matou seu irmão Geta, apunhalando-o os braços na
mãe, eu igualmente feriu e manteve com esta incestuosas
relações.

Nós detestamos, hoje, quaisquer atitudes imperialistas ou
ditatoriais, quer elas venham em nome da direita ou da esquerda
Como nesses conturbados tempos não havia eleições para escolha
dos imperadores, as facções do exército imperial costumava
aniquilar os próprios imperadores, quando estes não concorriam
com as exigências das tropas. Assim procedeu Caracala com os
partidários de seu irmão, calculando-se que tenham sido
sacrificadas mais de vinte mil pessoas às suas assassinas mãos.
Como as tropas da Gália (França) não costumavam ser dóceis para
com os ditadores, Caracala resolveu deslocar-se às Gálias onde
se tornou odioso aos olhos dos gauleses pelo despotismo e as
atrocidades praticadas contra esse povo. Seguidamente dirigiu-se
para a Rétia (actual Récia, dos Grisões) onde travou batalha com
os alemães desta região alpina, acabando por derrotá-los nas
margens do Meno. Contudo, as coisas não lhe correram muito bem…
Os povos desta província sublevaram-se em massa, exigindo uma
parte dos tesouros e saque das tropas do imperador romano. Para
facilitar as coisas, este mandou matar os delegados gauleses.
Seguidamente, o feroz imperador assassinou o rei dos Cuados e
fez degolar jovens da Rétia que tinha convocado para a guerra.
Atacou os Godos da Dácia e, despis destas façanhas, o senhor da
capa dirigiu-se para a Trácia e daí à Ásia onde invadiu a Síria,
tomou a cidade de Antioquia e ali proclamou a anexação do reino
da Arménia ao império romano. No entanto, os ses crimes não
cessaram por aqui.
Resolveu deslocar-se às Gálias onde se tornou odioso aos olhos
dos gauleses pelo despotismo e as atrocidades praticadas contra
esse povo
Da Arménia passou a Alexandria, onde manou degolar pelos seus
soldados toda a juventude em idade de pegar em armas, evitando
assim qualquer levantamento contra Roma. Depois, invadiu o
território dos Partos sob pretexto de que o rei desse povo,
Artabão V, lhe tinha negado a mão da filha. De seguida,
atravessou o rio Eufrates e saqueou a Média. Finalmente, um
corajoso soldado resolveu por fim a tantos crimes e assassínios,
matando Caracala.
O Termalista
Com este nome há umas termas em Roma, que datam do tempo de
Caracala e se designam, por isso mesmo, por “Termas de Caracala”.
Estas termas são um dos monumentos mais sumptuosos da “cidade
eterna” pela beleza dos seus mármores, mosaicos e as artísticas
estátuas que as adornam. Portanto, Caracala ficou muito ligado
ao termalismo e pouco se fala dos seus crimes e assassinatos
deste cruel e desumano imperador, que se comportou, no seu
tempo, a modos como um terrorista da Al-Qaeda.
Que a capa lhe não seja leve, porque as nefastas raízes muitas
talvez se tenham dissipado pelo vasto império romano,
inclusivamente Portugal e não só.
Termas de Caracala
*Investigador, Porto
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