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CONTRACICLO
Vaticinou Bill Gates nos idos de 70, quando só determinadas
instituições e entidades governamentais dispunham de pleno
acesso à Worl Wide Web, que logo após a extensão desse
serviço, assim como da Internet, a todos os lares, os
livros e os jornais e revistas tinham os seus dias contados,
sendo possível, então, que todos pudessem dispor de locais de
acesso onde poderiam consultar as notícias do dia, ler as mais
emblemáticas obras da literatura, pesquisar todo o tipo de
informação, etc., e até transportar consigo equipamento portátil
que o permitisse da mesma forma.
A
ideia de alguma maneira passou, e o desenvolvimento da
informática ao longo dos anos de 80 parecia confirmá-lo, com
todo o tipo de serviços a ser digitalizado, com o surgimento dos
portais de informação, com a queda dos preços do hardware
e a massificação do software, a par da oportunidade dos
particulares em obterem programas profissionais. Depois do
advento da televisão, o mundo continuava a caminhar para o ecrã.
Mais
recentemente, no nosso país, uma sondagem de uma das empresas
mais conceituadas em Portugal avança os seguintes números,
demolidores num país pequeno como o nosso: só no primeiro
trimestre deste ano, numa sondagem efectuada a 3.500 pessoas,
conclui-se que no conjunto dos títulos impressos existentes nas
terras lusitanas, perderam-se 173.000 leitores (é muito zero,
não é?) o que é dizer que no universo dos exemplares impressos
anteriormente lidos, foi esse o número de pessoas que só em três
meses passou a acompanhar a edição on-line por troca com
a leitura do seu suporte impresso. Estes números incluem o
número de vezes que um exemplar é lido (por uma ou mais
pessoas).
Em
contrapartida, conclui-se dos dados apresentados que,
actualmente, dispomos de 1,6 milhões de leitores de jornais e
revistas electrónicos. Na prática, o número de vendas decaiu
enormemente aos balcões e quiosques, com os prejuízos a isso
inerentes para as empresas de publicações periódicas. Tem sido
uma das leis da vida para a actividade jornalística. As edições
on-line, porque gratuitas (as que o não são não tem nem
de perto nem de longe o mesmo número médio de leitores), afectam
sempre, por vezes muito, a média das vendas e a garantia das
assinaturas. Confessamos que foi esse o principal receio que
sentimos e que adiou um ano o lançamento da nossa edição
www.vianasocialecultural.com.
Para
quem não está recordado, lançámo-nos virtualmente a meados de
Maio deste ano, pelo que cumprimos agora os primeiros seis meses
de edições virtuais. E contra os nosso piores receios – porque
estas coisas é no primeiro ano que mais se fazem sentir – nos
últimos três meses tivemos crescimentos nas vendas directas da
ordem dos 120%. Isto enquanto contabilizámos valores de
consultas para a nossa edição on-line como os seguintes –
Maio, 176 visitas (em menos de quinze dias); Junho, 2186; Julho,
1388; Agosto, 704… Daí para cá os números têm estabilizado e na
primeira semana deste Outubro já se contavam quase 4.000
entradas.
No
universo que a VS&C abrange, em número de leitores e área
geográfica, estes números são óptimos face às médias existentes.
E ainda esperamos aumento do nosso alcance a par de um
incremento do número de leitores em suporte papel. Isto é:
Contraciclo! Crescemos para ambos dos lados, o que é um caso que
se remete para si próprio, porque se encontra numa situação de
variáveis a nosso ver inéditas, sendo o que interessa o
resultado final. Felizmente, para bem de nós todos, é bem. Na
verdade, os jornais e revistas, a rádio e a T.V., continuaram,
adaptaram-se e avançaram no seu caminho, incluindo também as
suas versões on-line, passando do suporte papel para,
também, aquele digital. A esperar os resultados disto nos tempos
a seguir.
O
próximo passo da VS&C será o lançamento, também já adiado por um
ano, de um livro a ser distribuído nacionalmente, com a nossa
chancela. Mas isso é conversa para um próximo momento…
O Director
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