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Ultimamente, com o desenrolar do caso nacional em que se tornou
o assalto ao Museu da Ourivesaria Tradicional, surge agora um
cidadão ex-páraquedista (conjunto, associação, grupo?) a
solidarizar-se com o intendente Martins da Cruz na sua acção
movida contra o empresário Manuel Freitas, devido às declarações
proferidas por este último através da Comunicação Social e
através de diversos outros meios.
Diz(em) os citado(s) pára-quedista(s) que os oficiais de polícia
visados por Manuel Freitas foram formados nas tropas
pára-quedistas e que, por isso, “como tais oficiais iniciaram a
sua carreira militar, servindo o País nas tropas pára-quedistas,
tais insultos não ofenderam só os referidos mas sim todos os
pára-quedistas portugueses”.
Claro que o argumento utilizado tem a sua graça, até parece
chalaça, mas é mais uma acha para a fogueira, mas perguntamo-nos
se isto não está a tomar proporções que podem vir a sair da
piada que a coisa em si já é para gáudio de todos nós, não
fossem os feridos, o emigrante paraplégico, a infelicidade da
perda dos artigos desaparecidos - e, de facto, muitos deles
insubstituíveis, ingloriamente perdidos - quando há muito
podiam, na nossa opinião, estar em lugar próprio no edifício do
antigo Banco de Portugal, antiga unidade hoteleira à praça da
República.
Claro que algumas das declarações de Manuel Freitas,
especialmente aquelas feitas “a quente”, sendo essas as que
perduraram, foram “fortes”, mas mesmo essas devem ser
enquadradas no momento em que decorre.
Claro que é muito fácil entrar com “os ricos”, e atacá-los e à
sua classe, especialmente nesta sociedade de informação onde se
fazem correr e-mail’s anónimos com toda a facilidade, fazendo-os
chegar às redacções dos meios de Comunicação Social e outros
meios de comunicação. Mas os “intendentes”, e outras hierarquias
militares ou para-militares, também dispõe de outras riquezas,
que se não propriamente em euros ou em ouro, o são noutros
planos e, portanto, de poder. E muito do que aqui se está a
tratar se trata, efectivamente, de uma guerra de poderes entre
“hierarquias” do nosso meio social.
A questão que está a ser discutida entre os personagens,
reduz-se ao tom dos comentários de Manuel Freitas sobre aquilo
que o Intendente Martins da Cruz de facto disse a alto e bom som
e que todos ouviram. O último não gostou foi do tom e de praça
pública que é a RTP e toca a ir para Tribunal, mas não nos
parece que haja, aqui, matéria de facto. Apenas exaltação de
ânimos, os tais, portanto, que devem ser enquadrados no momento.
Só que ainda se está a discutir como se estivéssemos nos
momentos imediatos ao assalto.
Claro que entendemos as declarações de vitória do Intendente:
responsável pela polícia local, onde se ia realizar uma cimeira
internacional, a levar com um assalto violento com tiros para
todos os lados (estivemos lá) em pleno centro histórico duma
cidade enxameada de polícias, deve ser o pior dos quadros
profissionais para um profissional de segurança responsável.
Claro que ao menor sinal, à mais ínfima notícia de esperança se
reage. No caso, precipitadamente, e depois todo o resto que
conhecemos: as suas declarações - que misturadas com as dos
jornalistas da rádio e da TV, logo seguidas da imprensa nos dias
seguintes a par dos comunicados do ministério, do ministro da
tutela e da PJ – lançam a esperança no empresário e na restante
comunidade logo seguidas do “balde de água fria”: - afinal os
tipos continuam à solta! A isto se junta os sentimentos de
insegurança dos cidadãos, as trocas de acusações e está feito o
cenário pleno de exaltamentos com processos na Justiça.
Achamos que não era preciso e que uma conversa franca entre as
partes com larga transpiração para o todo que somos todos nós,
tudo sanaria, ainda fortalecendo o tecido social, enrijecendo-o
para o futuro.
Até porque sobre esta questão, pouca cómoda para todos,
evidentemente, o ministro da Justiça Alberto Costa não tem
falado focando as suas intenções no reforço de meio para as
forças de investigação.
Aguardam-se os próximos episódios.
O
Director
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