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Acessibilidades natalícias
São
duas: as dos caminhos e as dos dinheiros; as das vias e as dos
subsídios. As primeiras servem para três coisas: para chegar,
para partir, ou para, somente, passar (no caso de Viana parece a
última); as segundas são uns dos mais importantes meios para o
desenvolvimento, não se tratando, isto, do tão fácil lugar-comum
que leva à chamada subsídio-dependência. Não é o que queremos
dizer. Os subsídios são uma forma legítima de alcançar mais
elevados níveis de vida. Para que sejam obtidos é necessário
conquistá-los.
Com
raras excepções, as prendas anunciadas em quase quadra natalícia
que os governos têm, ao longo de décadas, presenteado o Alto
Minho – falamos aqui das verbas contempladas em PIDDAC – sabem
quase sempre a (muito) pouco. E uns tostões mais que possam ter
eventualmente surgido aqui ou ali no tempo, têm tido sempre o
efeito da felicidade efémera no pobrezinho satisfeitinho.
Neste ano de pretensa recuperação económica, esses tostões não
só voltaram a ficar aquém das reais necessidades, como foram
substancialmente reduzidos em muitos concelhos alto-minhotos. A
justificação, uma fundamentalmente: em anos anteriores as verbas
designadas tiveram um crescimento assinalável e agora estamos em
tempo de controlo da despesa pública. E muitos por cá calam-se
com isto, aceitando-o, esquecendo-se que continuamos, como
região, na cauda do desenvolvimento em Portugal. E que, só por
isso, alguns crescimentos que chegaram a existir, não
resolveram, de facto, os problemas do nosso reduzido
crescimento.
Deste ano para 2007, a atribuição em PIDDAC teve o aumento da
esmola ao pobre, de 36 para 44 milhões de euros. Mas, ainda
assim, foi pelo segundo ano consecutivo a região com a verba
mais pequena. O concelho de Valença, por junto, vai receber
3.000 euros (!); Melgaço, nada (!!), zero!
Sobre isto surge o anúncio de intenção do Governo em portajar a
A28, uma vez que os índices de desenvolvimento do Alto Minho,
nos dizem, já não justificam a manutenção dessa fundamental via
de comunicação na condição de SCUT (sem custos para o
utilizador). Isto é fazer-nos lembrar, um pouco, aquilo que
acontecia nas grandes herdades e nas fábricas do tempo da
Revolução Industrial, em que o encarregado de pagamento de
ordenados fazia a contas às horas de trabalho aos operários
analfabetos em fila, frente aos próprios, de papel e lápis na
mão, conseguindo ainda assim fazer valer um resultado inferior à
soma. Quem não sabe é como quem não vê. E é para ver o que
outros não podem ver, que elegemos os nossos autarcas.
As
actuais Câmaras Municipais do distrito, que são de maioria
(quase toda) socialista, a par do Governo Civil, não podem
deixar que se volte a repetir o que aconteceu a esta terra
durante os consulados do partido que representa a maioria da
actual oposição, durante os quais aconteceu a paragem da região
no tempo, no investimento, no desenvolvimento. Infelizmente este
é que tem sido o verdadeiro lugar-comum, especialmente firmado
num tempo em que quer as edilidades, quer o governo central,
eram da mesma “cor” política, mas nem por isso foram conseguidos
reais avanços no Alto Minho face à situação geral das outras
regiões do país.
Viana teve no pós-25 de Abril duas alturas de incremento, a
quase todos os níveis, e notório progresso – aquela da Comissão
Administrativa 1974-76 e, mais recentemente, com Defensor Moura.
Não nos podemos permitir parar novamente só porque alguns querem
continuar a subir na hierarquia partidária, não lhes sendo
conveniente fazer grandes alardes contra o actual Governo
sustentado em Assembleia da República pela maioria parlamentar,
pelas disciplinas partidárias, pelas lealdades políticas (que
devem estar assentes nos eleitos)! As nossas Câmaras Municipais
são quase todas socialistas; os representantes no Governo Civil
também o são; o Governo português é socialista. O que é que
falta? Jeito, talvez?
E
neste tempo natalício, também não se vislumbra Estrela de Belém
que ilumine mais jeito noutras partes do espectro político.
Assim, as prendas dos Reis Magos nunca chegarão.
O Director
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