|

|

Tempo de avisar
Abril, Maio… Como estamos em tempo disso, vamos a isto:
-
Com estados de tempo pouco convidativos para comemorações
dirigidas a um povo pouco consciencioso, lá se festejaram duas
datas importantes e fundamentais para, precisamente, a falta de
consciência individual e colectiva: o “25 de Abril” e o “1.º de
Maio”. A primeira foi ensombrada pela recente vitória da memória
de Salazar que venceu o concurso da RTP, “Os Grandes
Portugueses”; a segunda, que também pelas nuvens escuras, lá no
alto, a par da falta de mobilização para a noite do dia 30,
principalmente pela falta de memória do que aconteceu há 25 anos
na baixa portuense.
Recorde-se: oito anos após a Revolução dos Cravos, a 30 de Abril
de 1982, as lutas entre a CGTP e a recém-criada UGT redundou em
confrontos com a PSP provocando dois mortos e 58 feridos, seis
destes últimos por balas “perdidas” disparadas contra a
multidão, resultantes daquilo que foi considerado “uso de armas
de fogo fora dos condicionalismos legais”. Os mortos foram-no
por projécteis de calibre 7,62mm, aqueles utilizadas pelas
forças policiais. Pedro Vieira, empregado têxtil e delegado
sindical da CGTP, apanhou o tiro nas costas, em S. Bento; Mário
Emílio Gonçalves levou a bala em plena cara, na rua S.
Sebastião, à Sé.
No
presente: 33 anos após Abril, Salazar ganha um concurso de
popularidade e o sociólogo António Barreto realça os seus
compatriotas, com a seguinte “tirada”, em artigo de opinião no
público: “Em Portugal, cada um interessa-se pela sua liberdade,
quase nunca pela liberdade dos outros. E quase sempre, quando
podem, escolhem o poder em detrimento da liberdade”.
Subscrevemos. Até porque…
Recentemente: o jornalista Manso Preto é preso pelo tribunal e
condenado (posteriormente ilibado) por não revelar uma fonte
(!); a propósito do caso do sargento preso e condenado por
manter consigo a filha adoptiva, um documento é entregue no
respectivo tribunal apelando à libertação do militar, assinado
por centenas de pessoas. A reacção de um Juiz Conselheiro foi
querer que cada signatário pagasse a multa de 480 euros pelo
“atrevimento” (!!); outra, que reflecte estes tempos de
crescente prepotência: uma advogada estagiária foi impedida pela
Ordem dos Advogados de fazer o respectivo exame de admissão
porque a sua religião a impede de trabalhar ao sábado (!!!).
Esta Ordem é uma das mais importantes entidades que deviam
garantir os direitos, liberdades e garantias constitucionalmente
inscritos. Sobre isto o Tribunal da Relação ainda dá razão à
Ordem. Felizmente, o Supremo deu razão à queixosa.
Mas a origem deste texto não se deve apenas ao atrás descrito. É
que, há poucos dias atrás, tivemos por cá, em mais uma palestra
do CCAM, o juiz Conselheiro Manuel Simas Santos e a juíza Fátima
Mata-Mouros, aquela do caso Camarate e, ainda, da fase de
Instrução do processo Manso Preto. Mas poucos foram os que se
dignaram aparecer. Lá esteve cerca de uma vintena de pessoas que
formou a assistência, na sua maioria gente da área jurídica, um
ou outro director da informação regional, jornalistas quase
nenhuns, e uma ou outra cara do costume.
Por onde andariam os professores, os políticos, os opinadores da
nossa imprensa, o pessoal das “esquerdilhas” e dos “miques”,
entre outros?
É,
de facto, constrangedor verificar o alheamento a que este tipo
de acção está votado. Especialmente por aqueles atrás
referenciados. E quando é assim, as salazarentas sombras
avançam, inexoráveis, cativando sob a égide das “renovadoras” e
“novas democracias”… de há precisamente 80 anos atrás.
Quem não sabe a História comete sempre os erros antigos. E quem
não a aprende, também não a ensina.
O Director
|

e-mail

2006
Editorial Junho
Editorial Julho
Editorial Agosto
Editorial
Setembro
Editorial
Outubro
Editorial
Novembro
Editorial Dezembro
2007
Editorial
Fevereiro
Editorial
Março
Editorial
Abril
Estatuto
Editorial
|