EDITORIAL - TEMA DE CAPA - IMPRENSA - ARQUIVOS - CONTACTOS

 

Rubricas

Editorial

Tema de Capa

Pergunta do Mês

Saúde dentária

Revista de Imprensa

Viana ontem e hoje

Imagem

Retalhos

Cineclube

Humor

Apanhados

Opinião

Sociedade

Geração Bit

Concursos

Poesia

Taiki-Budô

Jogos

Informações

 

 

 

EDITORIAL

 

Recentemente, uma família numerosa de imigrantes asiáticos em Portugal, que conta com três gerações no seu agregado familiar, abandonou o seu apartamento levando os seus haveres, poucas semanas após terem fechado definitivamente o seu estabelecimento comercial – um restaurante –, que era o seu sustento e que entretanto abrira falência. Trabalhavam todos, todos os dias.tc "Recentemente, uma família numerosa de imigrantes asiáticos em Portugal, que conta com três gerações no seu agregado familiar, abandonou o seu apartamento levando os seus haveres, poucas semanas após terem fechado definitivamente o seu estabelecimento comercial – um restaurante –, que era o seu sustento e que entretanto abrira falência. Trabalhavam todos, todos os dias."

Eram nossos vizinhos cá em Viana (de todos nós por que cá residentes há muito) e, se para alguns a sua partida não deixa saudades, a nós fez repensar um conjunto de premissas que se tem consolidado acerca da forma como temos, como sociedade, vindo a firmar a vida neste início de século (às vezes dá-nos para isto…).tc "Eram nossos vizinhos cá em Viana (de todos nós por que cá residentes há muito) e, se para alguns a sua partida não deixa saudades, a nós fez repensar um conjunto de premissas que se tem consolidado acerca da forma como temos, como sociedade, vindo a firmar a vida neste início de século (às vezes dá-nos para isto…)."

É uma situação que causa sempre algum abalo. Trata-se do nosso lugar, na nossa cidade do nosso país, com as oportunidades e importunidades que, como sociedade, criamos, com as economias que determinamos e alimentamos continuamente. Por isso trata-se de um problema que não diz respeito apenas àquela família, mas a todos nós. Se faliram porque serviam pouco, se calhar não serviram mais porque nós também não pudemos ir lá mais vezes buscar o que gostaríamos.tc "É uma situação que causa sempre algum abalo. Trata-se do nosso lugar, na nossa cidade do nosso país, com as oportunidades e importunidades que, como sociedade, criamos, com as economias que determinamos e alimentamos continuamente. Por isso trata-se de um problema que não diz respeito apenas àquela família, mas a todos nós. Se faliram porque serviam pouco, se calhar não serviram mais porque nós também não pudemos ir lá mais vezes buscar o que gostaríamos."

Em Outubro transacto, três quiosques cá do burgo, dois deles há longos anos com porta aberta e um outro que operava há pouco menos de um ano, encerraram. Nós perdemos igual número de pontos de venda; os comerciantes, o seu negócio.tc "Em Outubro transacto, três quiosques cá do burgo, dois deles há longos anos com porta aberta e um outro que operava há pouco menos de um ano, encerraram. Nós perdemos igual número de pontos de venda; os comerciantes, o seu negócio."

São quatro casos que constituem casos paradigmáticos destes tempos de carência para a maioria, a que corresponde uma abundância já não para os mesmos, mas para cada vez menos. Nós até nem nos queixamos muito, face àquilo que temos vindo a observar de perto desde que lançámos esta publicação. Mas que está a doer a sério, está.tc "São quatro casos que constituem casos paradigmáticos destes tempos de carência para a maioria, a que corresponde uma abundância já não para os mesmos, mas para cada vez menos. Nós até nem nos queixamos muito, face àquilo que temos vindo a observar de perto desde que lançámos esta publicação. Mas que está a doer a sério, está."

 

O desinteresse e alheamento que o presente evoluir provoca no cidadão e, especialmente, aos que estão a crescer, são factores fundamentais para a estagnação económica e social. De país de imigrantes, em menos de dez anos passámos, novamente, a país de emigrantes. Cem mil portugueses foram procurar a garantia do presente no estrangeiro, só nos últimos anos. O que é notável numa Europa que cresce economicamente entre três a quatro por cento ao ano.tc "O desinteresse e alheamento que o presente evoluir provoca no cidadão e, especialmente, aos que estão a crescer, são factores fundamentais para a estagnação económica e social. De país de imigrantes, em menos de dez anos passámos, novamente, a país de emigrantes. Cem mil portugueses foram procurar a garantia do presente no estrangeiro, só nos últimos anos. O que é notável numa Europa que cresce economicamente entre três a quatro por cento ao ano."

 

Não há produção sem estudo e trabalho, sem saberes e competência. Sem humildade! Se dantes quem era importante na freguesia eram o padre, o advogado, o professor e o médico, agora é o empresário, o empreiteiro, o gerente e o economista. Aqueles influenciavam os homens pelo poder das ideias abstractas; estes compram as pessoas e as suas acções. Hoje em dia as aldeias não valem nada, importam é as cidades; o céu e a terra perderam a cor e os néons iluminam. Formidavelmente as empresas, sem cara e sem vergonha, publicitam à conta de um pai de família abandonado pela mulher, pelos filhos, pela empregada (!) e até pelo cão e pelo gato, porque não quis instalar em casa o serviço de televisão por cabo. Quando o fez, a família “pode voltar a ser feliz”… cada um no seu quarto com a sua televisão(!!); outra empresa, descarada também, exibia um sapo frente a um computador ignorando a “namorada” por causa da internet, sob o anúncio “não te prendas, liberta-te” – o arquétipo do descomprometimento com a vida e com os outros; nos centros comerciais pedem-nos o mesmo que um restaurante a servir “diárias”, mas somos nós quem tem de se servir e, inclusivamente, arrumar tudo nos caixotes do lixo(!) – faça e pague você mesmo; nos serviços roaming dos telemóveis (chamadas internacionais), quem recebe uma chamada também tem de a pagar e não só o interessado que telefonou, porque “assim custa menos a pagar”(!!)!. Já não se trata isto apenas de novos paradigmas. É a má-criação, a subversão dos valores, a desresponsabilização total.tc "Não há produção sem estudo e trabalho, sem saberes e competência. Sem humildade! Se dantes quem era importante na freguesia eram o padre, o advogado, o professor e o médico, agora é o empresário, o empreiteiro, o gerente e o economista. Aqueles influenciavam os homens pelo poder das ideias abstractas; estes compram as pessoas e as suas acções. Hoje em dia as aldeias não valem nada, importam é as cidades; o céu e a terra perderam a cor e os néons iluminam. Formidavelmente as empresas, sem cara e sem vergonha, publicitam à conta de um pai de família abandonado pela mulher, pelos filhos, pela empregada (!) e até pelo cão e pelo gato, porque não quis instalar em casa o serviço de televisão por cabo. Quando o fez, a família “pode voltar a ser feliz”… cada um no seu quarto com a sua televisão(!!); outra empresa, descarada também, exibia um sapo frente a um computador ignorando a “namorada” por causa da internet, sob o anúncio “não te prendas, liberta-te” – o arquétipo do descomprometimento com a vida e com os outros; nos centros comerciais pedem-nos o mesmo que um restaurante a servir “diárias”, mas somos nós quem tem de se servir e, inclusivamente, arrumar tudo nos caixotes do lixo(!) – faça e pague você mesmo; nos serviços roaming dos telemóveis (chamadas internacionais), quem recebe uma chamada também tem de a pagar e não só o interessado que telefonou, porque “assim custa menos a pagar”(!!)!. Já não se trata isto apenas de novos paradigmas. É a má-criação, a subversão dos valores, a desresponsabilização total."

 

Desta forma nada é possível e num mês fecham três quiosques e uma família numerosa, numa cidade em crescimento, é obrigada a partir novamente.tc "Desta forma nada é possível e num mês fecham três quiosques e uma família numerosa, numa cidade em crescimento, é obrigada a partir novamente."

 

Há, de facto, perspectivas e que não necessariamente más. Mas para isso é necessário que saibamos – e ajamos como tal –, que na insuficiência e na privação, o aforro e a poupança; na míngua, a divisão; na penúria, o reforço das vontades. Não há pecúlio? Faça-se a permuta! Mas mantenha-se o negócio a funcionar. Sempre com uma forte entreajuda, participação activa e igualitária, esforçada, por parte de todos. A culpa não é dos políticos, dos juízes, dos médicos, dos professores ou do funcionalismo. É de todos nós, individualmente e colectivamente.tc "Há, de facto, perspectivas e que não necessariamente más. Mas para isso é necessário que saibamos – e ajamos como tal –, que na insuficiência e na privação, o aforro e a poupança; na míngua, a divisão; na penúria, o reforço das vontades. Não há pecúlio? Faça-se a permuta! Mas mantenha-se o negócio a funcionar. Sempre com uma forte entreajuda, participação activa e igualitária, esforçada, por parte de todos. A culpa não é dos políticos, dos juízes, dos médicos, dos professores ou do funcionalismo. É de todos nós, individualmente e colectivamente."

 

A receita está na inter-ajuda, na cooperação, na participação, na cidadania, no orgulho, no brio, na honra e na vaidade, na ombridade, na boa-vontade e na inultrapassável assumpção dos valores como os do trabalho, da honestidade, do cumprimento, da competência e da lisura. Muita, que tanto falta. Só assim os resultados aparecerão assim como dois e dois são quatro. E acaba por ser tão fácil, sem discórdias, sem egoísmos e sem egotismos. Mas isso, oh, isso!...tc "A receita está na inter-ajuda, na cooperação, na participação, na cidadania, no orgulho, no brio, na honra e na vaidade, na ombridade, na boa-vontade e na inultrapassável assumpção dos valores como os do trabalho, da honestidade, do cumprimento, da competência e da lisura. Muita, que tanto falta. Só assim os resultados aparecerão assim como dois e dois são quatro. E acaba por ser tão fácil, sem discórdias, sem egoísmos e sem egotismos. Mas isso, oh, isso!..."

"O Director"

 

 

 

 Alexandre Marta

e-mail

 

 

Editorial Junho

Editorial Julho

Editorial Agosto

Editorial Setembro

Editorial Outubro

Editorial Novembro

Editorial Dezembro

 

Estatuto Editorial

 

Cartas ao Director

 

 

EDITORIAL - TEMA DE CAPA - IMPRENSA - ARQUIVOS - CONTACTOS

Topo