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Recentemente, uma família numerosa de imigrantes asiáticos em
Portugal, que conta com três gerações no seu agregado familiar,
abandonou o seu apartamento levando os seus haveres, poucas
semanas após terem fechado definitivamente o seu estabelecimento
comercial – um restaurante –, que era o seu sustento e que
entretanto abrira falência. Trabalhavam todos, todos os dias.tc
"Recentemente,
uma família numerosa de imigrantes asiáticos em Portugal, que
conta com três gerações no seu agregado familiar, abandonou o
seu apartamento levando os seus haveres, poucas semanas após
terem fechado definitivamente o seu estabelecimento comercial –
um restaurante –, que era o seu sustento e que entretanto abrira
falência. Trabalhavam todos, todos os dias."
Eram nossos vizinhos cá em Viana (de todos nós por que cá
residentes há muito) e, se para alguns a sua partida não deixa
saudades, a nós fez repensar um conjunto de premissas que se tem
consolidado acerca da forma como temos, como sociedade, vindo a
firmar a vida neste início de século (às vezes dá-nos para
isto…).tc "Eram
nossos vizinhos cá em Viana (de todos nós por que cá residentes
há muito) e, se para alguns a sua partida não deixa saudades, a
nós fez repensar um conjunto de premissas que se tem consolidado
acerca da forma como temos, como sociedade, vindo a firmar a
vida neste início de século (às vezes dá-nos para isto…)."
É uma situação que causa sempre algum abalo. Trata-se do nosso
lugar, na nossa cidade do nosso país, com as oportunidades e
importunidades que, como sociedade, criamos, com as economias
que determinamos e alimentamos continuamente. Por isso trata-se
de um problema que não diz respeito apenas àquela família, mas a
todos nós. Se faliram porque serviam pouco, se calhar não
serviram mais porque nós também não pudemos ir lá mais vezes
buscar o que gostaríamos.tc
"É
uma situação que causa sempre algum abalo. Trata-se do nosso
lugar, na nossa cidade do nosso país, com as oportunidades e
importunidades que, como sociedade, criamos, com as economias
que determinamos e alimentamos continuamente. Por isso trata-se
de um problema que não diz respeito apenas àquela família, mas a
todos nós. Se faliram porque serviam pouco, se calhar não
serviram mais porque nós também não pudemos ir lá mais vezes
buscar o que gostaríamos."
Em Outubro transacto, três quiosques cá do burgo, dois deles há
longos anos com porta aberta e um outro que operava há pouco
menos de um ano, encerraram. Nós perdemos igual número de pontos
de venda; os comerciantes, o seu negócio.tc
"Em
Outubro transacto, três quiosques cá do burgo, dois deles há
longos anos com porta aberta e um outro que operava há pouco
menos de um ano, encerraram. Nós perdemos igual número de pontos
de venda; os comerciantes, o seu negócio."
São quatro casos que constituem casos paradigmáticos destes
tempos de carência para a maioria, a que corresponde uma
abundância já não para os mesmos, mas para cada vez menos. Nós
até nem nos queixamos muito, face àquilo que temos vindo a
observar de perto desde que lançámos esta publicação. Mas que
está a doer a sério, está.tc
"São
quatro casos que constituem casos paradigmáticos destes tempos
de carência para a maioria, a que corresponde uma abundância já
não para os mesmos, mas para cada vez menos. Nós até nem nos
queixamos muito, face àquilo que temos vindo a observar de perto
desde que lançámos esta publicação. Mas que está a doer a sério,
está."
O desinteresse e alheamento que o presente evoluir provoca no
cidadão e, especialmente, aos que estão a crescer, são factores
fundamentais para a estagnação económica e social. De país de
imigrantes, em menos de dez anos passámos, novamente, a país de
emigrantes. Cem mil portugueses foram procurar a garantia do
presente no estrangeiro, só nos últimos anos. O que é notável
numa Europa que cresce economicamente entre três a quatro por
cento ao ano.tc
"O
desinteresse e alheamento que o presente evoluir provoca no
cidadão e, especialmente, aos que estão a crescer, são factores
fundamentais para a estagnação económica e social. De país de
imigrantes, em menos de dez anos passámos, novamente, a país de
emigrantes. Cem mil portugueses foram procurar a garantia do
presente no estrangeiro, só nos últimos anos. O que é notável
numa Europa que cresce economicamente entre três a quatro por
cento ao ano."
Não há produção sem estudo e trabalho, sem saberes e
competência. Sem humildade! Se dantes quem era importante na
freguesia eram o padre, o advogado, o professor e o médico,
agora é o empresário, o empreiteiro, o gerente e o economista.
Aqueles influenciavam os homens pelo poder das ideias
abstractas; estes compram as pessoas e as suas acções. Hoje em
dia as aldeias não valem nada, importam é as cidades; o céu e a
terra perderam a cor e os néons iluminam. Formidavelmente as
empresas, sem cara e sem vergonha, publicitam à conta de um pai
de família abandonado pela mulher, pelos filhos, pela empregada
(!) e até pelo cão e pelo gato, porque não quis instalar em casa
o serviço de televisão por cabo. Quando o fez, a família “pode
voltar a ser feliz”… cada um no seu quarto com a sua televisão(!!);
outra empresa, descarada também, exibia um sapo frente a um
computador ignorando a “namorada” por causa da internet,
sob o anúncio “não te prendas, liberta-te” – o arquétipo do
descomprometimento com a vida e com os outros; nos centros
comerciais pedem-nos o mesmo que um restaurante a servir
“diárias”, mas somos nós quem tem de se servir e,
inclusivamente, arrumar tudo nos caixotes do lixo(!) – faça e
pague você mesmo; nos serviços roaming dos telemóveis
(chamadas internacionais), quem recebe uma chamada também tem de
a pagar e não só o interessado que telefonou, porque “assim
custa menos a pagar”(!!)!. Já não se trata isto apenas de novos
paradigmas. É a má-criação, a subversão dos valores, a
desresponsabilização total.tc
"Não
há produção sem estudo e trabalho, sem saberes e competência.
Sem humildade! Se dantes quem era importante na freguesia eram o
padre, o advogado, o professor e o médico, agora é o empresário,
o empreiteiro, o gerente e o economista. Aqueles influenciavam
os homens pelo poder das ideias abstractas; estes compram as
pessoas e as suas acções. Hoje em dia as aldeias não valem nada,
importam é as cidades; o céu e a terra perderam a cor e os néons
iluminam. Formidavelmente as empresas, sem cara e sem vergonha,
publicitam à conta de um pai de família abandonado pela mulher,
pelos filhos, pela empregada (!) e até pelo cão e pelo gato,
porque não quis instalar em casa o serviço de televisão por
cabo. Quando o fez, a família “pode voltar a ser feliz”… cada um
no seu quarto com a sua televisão(!!); outra empresa, descarada
também, exibia um sapo frente a um computador ignorando a
“namorada” por causa da internet, sob o anúncio “não te
prendas, liberta-te” – o arquétipo do descomprometimento com a
vida e com os outros; nos centros comerciais pedem-nos o mesmo
que um restaurante a servir “diárias”, mas somos nós quem tem de
se servir e, inclusivamente, arrumar tudo nos caixotes do lixo(!)
– faça e pague você mesmo; nos serviços roaming dos
telemóveis (chamadas internacionais), quem recebe uma chamada
também tem de a pagar e não só o interessado que telefonou,
porque “assim custa menos a pagar”(!!)!. Já não se trata isto
apenas de novos paradigmas. É a má-criação, a subversão dos
valores, a desresponsabilização total."
Desta forma nada é possível e num mês fecham três quiosques e
uma família numerosa, numa cidade em crescimento, é obrigada a
partir novamente.tc
"Desta
forma nada é possível e num mês fecham três quiosques e uma
família numerosa, numa cidade em crescimento, é obrigada a
partir novamente."
Há, de facto, perspectivas e que não necessariamente más. Mas
para isso é necessário que saibamos – e ajamos como tal –, que
na insuficiência e na privação, o aforro e a poupança; na
míngua, a divisão; na penúria, o reforço das vontades. Não há
pecúlio? Faça-se a permuta! Mas mantenha-se o negócio a
funcionar. Sempre com uma forte entreajuda, participação activa
e igualitária, esforçada, por parte de todos. A culpa não é dos
políticos, dos juízes, dos médicos, dos professores ou do
funcionalismo. É de todos nós, individualmente e colectivamente.tc
"Há,
de facto, perspectivas e que não necessariamente más. Mas para
isso é necessário que saibamos – e ajamos como tal –, que na
insuficiência e na privação, o aforro e a poupança; na míngua, a
divisão; na penúria, o reforço das vontades. Não há pecúlio?
Faça-se a permuta! Mas mantenha-se o negócio a funcionar. Sempre
com uma forte entreajuda, participação activa e igualitária,
esforçada, por parte de todos. A culpa não é dos políticos, dos
juízes, dos médicos, dos professores ou do funcionalismo. É de
todos nós, individualmente e colectivamente."
A receita está na inter-ajuda, na cooperação, na participação,
na cidadania, no orgulho, no brio, na honra e na vaidade, na
ombridade, na boa-vontade e na inultrapassável assumpção dos
valores como os do trabalho, da honestidade, do cumprimento, da
competência e da lisura. Muita, que tanto falta. Só assim os
resultados aparecerão assim como dois e dois são quatro. E acaba
por ser tão fácil, sem discórdias, sem egoísmos e sem egotismos.
Mas isso, oh, isso!...tc
"A
receita está na inter-ajuda, na cooperação, na participação, na
cidadania, no orgulho, no brio, na honra e na vaidade, na
ombridade, na boa-vontade e na inultrapassável assumpção dos
valores como os do trabalho, da honestidade, do cumprimento, da
competência e da lisura. Muita, que tanto falta. Só assim os
resultados aparecerão assim como dois e dois são quatro. E acaba
por ser tão fácil, sem discórdias, sem egoísmos e sem egotismos.
Mas isso, oh, isso!..."
"O
Director"
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