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EDITORIAL

BOM NATAL!...

Em época natalícia é sempre bom lembrar e contar as coisas boas, tentando esquecer as outras, e procurar encontrar os aspectos positivos naquilo que pode parecer o contrário. Vem isto a propósito do nosso Editorial anterior e da Quadra Festiva que vivemos.

 

Se é verdade que continuamos relegados para últimos nas prioridades governativas, designadamente naquelas em termos de verbas do PIDDAC, é bom recordar algo que, normalmente, não entra nas contas oficiais: a economia dita paralela e não se trata isto, propriamente de mercado negro, evidentemente…

 

Na verdade, é fácil perceber, quando conversamos com os naturais de outras partes de Portugal que nos visitam, que nos digam que se surpreendem com a “riqueza” geral que aqui encontram. Urbes limpas e airosas, residentes bem apessoados e graciosos, mulheres bonitas e bem trajadas, bons automóveis, jardins cuidados, vivendas arejadas no espaço, asseio na cidade e nas freguesias, etc., etc., etc.

Claro que só nós é que sabemos das faltas de muito do que se não vê (mas que sentimos), a perda de mão-de-obra para a emigração durante décadas (centenas de milhar em menos de 40 anos), o trabalho infantil (que ainda existe), as novas formas de pobreza que grassam (novas porque disfarçadas) mas…

 

Também temos a consciência que - segundo dados oficiais - o Alto Minho é a região do país onde mais se aforra; isto é dizer que é a zona do país onde se encontra mais dinheiro “debaixo da colchão”, não apenas literalmente; assim como também é aquela com mais economia em termos de poupança das famílias – certificados de aforro, contas a prazo, etc.

 

Dizia-nos, aquando do primeiro ano da VS&C, em 2003, com plena crise instalada, um “viajante”, vendedor de produtos industriais de limpeza: - “Só tenho feito negócio cá para cima. Lá em baixo ninguém me paga e olhe que eu percorro todo o país”.

 

Uns dois anos antes, no Algarve, um empresário hoteleiro face à minha interpelação por apostar na nossa imprensa regional para anunciar o seu hotel e a sua residencial, respondeu-me: - “É lá que está o dinheiro. O resto está tudo teso”.

 

Ideias pré-concebidas à parte, há um grande fundo de verdade nisto e que não é por acaso. O Minho, em geral, e o Alto Minho em particular, é uma verdadeira horta, sempre verde e viçosa. Pode não se ter emprego, mas há sempre umas batatas e umas hortaliças para matar a fome - é por isso que a capacidade reivindicativa “cá em cima” sempre foi menor do que “lá em baixo”, onde a média dos salários é mais elevada. No despedimento, no desemprego, os legumes, os frutos e as verduras da horta muito regada, sempre fresca.

 

E até há boas notícias, estrategicamente anunciadas em momento próprio, não vá haver recordação dos esquecimentos governamentais. As indústrias produtoras de energia renovável (eólica) vão por cá instalar-se em força e os postos de trabalho directos e indirectos que gerarão, a par das médias e grandes superfícies que têm vindo, e vão continuar a enxamear o Alto Minho, prometem postos de trabalho na ordem dos milhares, nos anos mais próximos.

Sem distracções, entre o Deve e o Haver, o que há e o que devia estar, o Cartoon em boa hora lembrado e enviado pelo nosso cartunista Pedro Carvalho, na imagem desta peça. Para que não esqueçamos…

 

Aos nossos leitores e anunciantes os nossos desejos de um Feliz Natal e de um Próspero Ano Novo.

 

 

O Director

 

 

 Alexandre Marta

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