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Notas de Verão (Inverno)
Feira do Livro
Estamos à-vontade nas nossas críticas, a título pessoal e
jornalístico. Sempre a promovemos dando ênfase aos seus aspectos
(mais que) positivos mas… Ao contrário do que estávamos
habituados, a última edição da Feira do Livro de Viana do
Castelo foi de uma pobreza entristecedora. Nomes relevantes
dois, talvez três. As tertúlias, deprimemente vazias. As
intervenções, de baixa qualidade. O público, pouco
participativo. Mas, principalmente, o novo formato dos pavilhões
para a venda dos livros que deveriam ser o centro das atenções e
não os espectáculos de música. Idealizados os pavilhões, com
certeza, à medida nórdica, a altura a que os livros ficavam
retirou todo o élan que a visita aos escaparates
suscitava, com os volumes num plano baixo em que todos podiam
ser abarcados pelo olhar. A Feira do Livro serve para, primeiro,
vermos os livros, bem vistos, não para nos termos de colocar em
bicos de pés. Uma maçada. Pela primeira vez não adquirimos nada.
Praia Fluvial
Também conhecida como “praia para pobres” (talvez as coisas
mudem com as obras de requalificação, e não estamos a dizer que
isso é necessariamente positivo), é local de banhos de sol e de
rio para muitos que não têm a oportunidade de se deslocarem para
mais longe. Já lá fomos dar as nossas braçadas percorrendo todo
o espaço delimitado pelas bóias que definem a área de segurança.
No fim, o resultado é sempre o mesmo: um sabor a esgoto na
garganta que só sai após muitos bochechos e gorgolejar,
pastilhas elásticas e lavagem de dentes antes do banho, já em
casa. Perdoe o amigo leitor a expressão, mas é o que apetece
escrever – uma porcaria!
Ponte Eiffel
Embora mais tardiamente do que seria conveniente, os cidadãos
vianenses uniram-se em associação no sentido de fazerem acelerar
a reabertura da ponte metálica e têm dado que falar e noticiar,
o que passa, inclusivamente, pelos meios de comunicação social a
nível nacional. Por diversas vezes. Para além da nota positiva
intrínseca, mais duas a acrescentar: numa terra onde a falta de
sentido e de capacidade crítica foi sempre nota dominante, as
novas gerações têm dado, aos poucos e poucos, a volta à coisa;
conseguiram, também, colocar o executivo camarário na rua, dando
origem a títulos de imprensa como “Defensor Moura em campanha
contra o governo!”.
Fogos
Têm
sido muitos mais do que pode parecer. Só entre os dias um e 25
de Julho, contabilizaram-se 157 em todo o Alto Minho. No
entanto, e ao contrário do ano passado em que quase nada mais se
ouvia nos noticiários, sente-se uma moderação nos tempos e
espaços noticiosos acerca. Fica a anfibologia interior: afinal
há mais, menos, ou é igual?; os incêndios são piores quando
muito noticiados, ou menos maus quando menos deles se fala? É
confuso? Até para nós. De tudo isto fica o pedido de auxílio
dos galegos às autoridades portuguesas no combate aos fogos que
por lá grassam e não são menos. É o pobrezinho inchado de
orgulho e quase feliz, não fossem os motivos dramáticos.
Líbano
Para terminar
uma nota para dar o tom internacionalista. Não nos cabe explicar
os motivos e as razões, mas a guerra, a loucura humana, têm
sempre suas consequências, com a morte e a destruição à cabeça.
Num país há anos desgovernado, encontramos um povo com um
sentido de responsabilidade raro naquela área do mundo, basta
ver e ouvir as intervenções dos seus cidadãos às cadeias
internacionais de T.V. Admirável! Mas também: o Hezbollah,
facção político-religiosa no meio de muitas outras às quais
associamos a ideia de grupelhos terroristas, combate com
estratégias e com a força de um exército regular com poucos
meios. E até os intelectuais libaneses cristãos, estes últimos
uma boa parte da população libanesa, já intercede a favor dos
“terroristas” contra o Ocidente – “São os únicos que nos têm
ajudado” – dizem. Uma situação muito séria a fazer repensar
muitos preconceitos e dados adquiridos sobre o que
andamos a fazer e a provocar no mundo. Exactamente, todos nós.
O Director
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