EDITORIAL - TEMA DE CAPA - IMPRENSA - ARQUIVOS - CONTACTOS

 

 

Rubricas

Editorial

Tema de Capa

Pergunta do Mês

Revista de imprensa

Psicologia

Podologia

Opinião

Sociedade

Humor - Apanhados Cão e Gato

Artes

Poesia

Tarot

Cineclube

Retalhos

Geração Bit

Viana ontem e hoje

Imagem

Música - Top Galáxia

Novas Publicações

Palavras cruzadas

Informações Úteis

 

 

 

Grande Entrevista

 

1.º Festival Internacional de Marionetas

e Cinema de animação

 

clika para ver as fotos

 

Sabbath Passos (SB) é actualmente a presidente da associação sem fins lucrativas “Marionetas, Actores & Objectos”, companhia de teatro agora sedeada no Casino Afifense e que levou a cabo –

 em conjunto com a associação vianense para o audiovisual, a “AoNorte” –, o “Festival Internacional de Marionetas e Cinema de Animação – FestAfife Marionetas” – entre os passados dias um e oito de Dezembro último.

Aí cumpriu as funções de directora artística para o teatro, fazendo agora a análise do que realizou juntamente com Rui Ramos, director para a parte cinema.

Agora, a conversa que já tínhamos em atraso, sendo certo que ainda este ano iremos falar do teatro de marionetas que por cá (ainda) se faz, na senda do saudoso “Teatrinho” e de que nos é grata a memória do fundador Alexandre Passos.

 

VS&C: Foi um evento com uma dimensão a que não estamos habituados assistir por cá, fruto de iniciativa que não institucional ou camarária. Era uma ideia pensada já há muitos anos, ou foi coisa que acabou por acontecer no momento e nas circunstâncias correctas, tal como muito do que acontece por aí? …

SB: Era uma ideia de há já muito anos, mas não tínhamos lugar para o realizar. Havia o Teatrinho, no largo de S. Domingos e o espaço não o permitia. Mas desde 2006, a partir do momento em que mudámos a companhia para o Casino Afifense, voltámos a pensar nisto. Claro que é sempre difícil organizar um festival deste, especialmente por razões financeiras. Até que no ano passado, 2007, portanto, pensámos nesta organização e decidimos pedir um subsídio ao Instituto das Artes do Ministério da Cultura, o que aconteceu em Março de 2007, e cuja candidatura teve um resultado muito positivo no concurso; só que não chegou para conseguirmos que o subsídio fosse atribuído. Foram apenas sete os contemplados para toda a região Norte, incluindo o Porto que tem um enorme número de companhias, e a maior parte dos subsídios ficou aí mesmo, seguindo-se Guimarães.

 

VS&C: Colocam em causa os critérios de atribuição?

SB: Não. Não só não colocamos como até agradecemos não ter havido subsídio, porque assim realizámos o festival sem apoio ministerial e fizemo-lo com o apoio da venda de espectáculos e recebendo colaboração na divulgação do festival que foi apoiado logisticamente.

 

VS&C: As relações com a Câmara estão normalizadas? Perguntamos isto porque, ao longo dos anos, não se sente um envolvimento da Câmara de Viana com a vossa companhia – que pessoalmente temos vindo a seguir –, e que se sente em relação ao Teatro Noroeste, por exemplo…

SB: Temos um pequeno subsídio da Câmara de Viana, desde 2001, e que em 2007 foi renovado.

 

VS&C: Então sempre há subsídio…

SB: Não é bem um subsídio, é um protocolo, o que temos. Especificamente para este Festival, daquilo que pedimos à Câmara Municipal, tivemos a compra de espectáculos e apoio na divulgação. Mas também as Câmaras de Caminha e de Paredes de Coura apoiaram, nomeadamente ao nível dos transportes. Isso foi muito importante, porque o Festival teve como cenário o Casino, mas houve outra parte que se chamou o “FestAfife Andante” que foi para outros concelhos, nomeadamente essas vilas. Contactámos com mais Câmaras e no próximo ano vamos visitar mais concelhos, o que entendemos de grande utilidade, até porque grande parte do público que temos são crianças. Atendendo a que vivemos numa região de maus acessos, com muita estrada de muita curva e contracurva, conseguiremos levar, com o apoio dessas edilidades, os espectáculos designados. E a par disso também houve compra de espectáculos. Em Caminha, por exemplo, estiveram os “Mandrágora” (Gondomar) e em Paredes de Coura estiveram um total de quatro grupos, sendo eles os “Al Masarh” (Tavira), os “Gengiz Ozek” (Turquia), o “Estatal Teatro de Sregei Obraztsov” (Rússia) e nós, os “Marionetas…

 

VS&C: Voltando um pouco à organização deste festival conjunto, de quem partiu a iniciativa: da AoNorte ou dos Marionetas?

SB: A iniciativa foi da nossa parte. Fizemos a proposta de apoio à “AoNorte” que foi logo aceite ao nível da co-organização. Isto foi um esforço muito grande e nunca é fácil duas associações que se juntam alcançarem tais resultados. Mas no nosso caso foi muito agradável e o resultado excelente. Do envolvimento da “AoNorte”propriamente dito, basta olhar o título do festival que refere “Festival Internacional de Marionetas e Cinema de Animação sem fronteiras”. Daí destacamos antes de tudo o filme “The District” de Áron Gauder (Hungria), por ser um filme para adolescentes e adultos, e contrariar a ideia da animação exclusivamente para crianças ou jovens. Trata-se de uma longa-metragem de animação, com um conteúdo político muito forte, que se passa num “guetho” com jovens urbanos e os seus conflitos sociais. Chamo também a atenção para o filme “De Profundis”, de Michelangelo Prado (Galiza), outra animação à base de pintura a óleo, sem texto e com música original. Para além de outras realizações notáveis, tivemos uma retrospectiva rara de animação russa de vários autores com recurso a diversas técnicas e estéticas. Ao nível cinematográfico e de animação, acho que foi uma selecção fantástica que devia ter sido vista por todos. Foi fantástica mesmo, quer a nível humano, quer a nível artístico.

 

VS&C: Foi o primeiro festival internacional deste cariz cá para os nossos sítios…

SB: Sim, foi o primeiro festival internacional de marionetas na região do Alto Minho, e o primeiro juntamente com cinema de animação.

 

VS&C: Congregaram alguns grupos estrangeiros. Como é que isso é feito?

SB: Recorremos aos nossos conhecimentos e contactos advindos das nossas saídas ao estrangeiro, uma vez que trabalhamos uma parte do ano no estrangeiro. Muitos dos grupos que cá estiveram foram aqueles com quem já trabalhámos quando fomos ao estrangeiro, os quais, agora, retribuem; até porque conhecem o nosso trabalho e a nossa qualidade, e conhecem-nos como amigos, também. E quando lhes apresentámos este projecto a realizar no “fim-do-mundo” (risos) aceitaram logo.

 

VS&C: Calculo que já não é fácil às companhias dos países de Leste, hoje em dia, participar com frequência neste tipo de eventos sem os magníficos apoios estatais que dispunham, até para deslocações deste âmbito. Isto para eles fica mesmo o “fim do mundo”…

SB: No caso do Teatro de Moscovo, esses continuam a manter todo o apoio estatal e no caso do grupo da Turquia, justificado o tipo de festival e seu valor artístico em causa, o ministério da Cultura da Turquia assumiu as despesas a nosso pedido. Os galegos vieram com os meios normais, até porque vieram de Santiago de Compostela e são amigos de longa data, tal com os de Tavira.

 

VS&C: Que importância assumiram os apoios institucionais conseguidos? Sem eles não teria havido festival?

SB: São muito importantes. Mas agrada-nos de sobremaneira que o apoio principal, a “arma secreta”, tenha vindo do público, designadamente ao nível de bilheteira.

VS&C: Pois cá vai a perguntinha das contas: Qual a média de espectadores?

SB: Foram 2789, ao longo de oito dias, para o teatro e para o cinema, numa média geral de 107 espectadores por espectáculo, com a maioria dos espectáculos a ocorrem no casino: 21 aí e cinco no “FestAtife Andante”.

 

VS&C: Então isto foi um sucesso...

SB: Na minha opinião foi um prazer e um sucesso. Mas penso no que é que se poderia fazer se tivéssemos outros apoios, ao nível financeiro, nomeadamente. Ter-nos-ia possibilitado a realização de “workshops” para crianças e adolescentes; para os alunos das escolas antes de mais, e teríamos podido trazer uma exposição de marionetas e cinema que tínhamos prevista e não pudemos. Sem dúvida a programação teria sido mais alargada, eventualmente com mais grupos em exibição e poderíamos, talvez, compensar as pessoas que aceitaram trabalhar a nível de voluntariado, dia e noite, para que o festival acontecesse. Foram quinze, essas pessoas.

 

VS&C: O que recorda, assim de repente, do trabalho feito?

Dava nota para o último espectáculo “Maravilhas de Viana”, no último dia do festival e que fez o seu encerramento. Foi uma produção nossa juntamente com vídeo e, em palco, juntámos vários associações e grupos que trabalham e trabalharam na área do Teatro em Viana; foi uma homenagem ao teatro cá realizado que incluiu grupos como “A Gruta”, a “ACEP”, o “O Pataco”… Conseguimos congregar mesmo aqueles que são conhecidos por de alguma forma “trabalharem só para si”, transformando assim tudo em algo muito generoso, com as pessoas a trabalharam graciosamente. A presença de todos os grupos em palco, simultaneamente, foi mágico. Intitulado “Maravilhas de Viana”, satirizava o formato de concurso televisivo, estando em concurso várias associações da cidade, culturais e educativas, especialmente aquelas que tinham trabalhado na área do teatro. Todas eram apresentadas por uma “Miss” que era um actor de barba rija. Foi algo pensado, nada gratuito, porque antigamente as mulheres não eram aceitas em palco. Utilizámos vários apontamentos da história mundial do teatro, mas também da história do teatro em Afife, cujas situações eram satirizadas. Juntamente com vídeo e marionetas, abordámos os problemas actuais da cidade num registo não propriamente sério, mas de boa-disposição, utilizando apontamentos étnicos. Digo isto porque parte do espectáculo eram cantigas à desgarrada em que utilizámos os fantoches dos gigantones, etc. E nesse espectáculo foi apresentado o nosso projecto para 2008, o “Caramurú”…

 

VS&C: Que sabemos que se integra nas comemorações dos 750 anos de Foral a Viana do Castelo…

SB: Sim. Fomos utilizar marionetas tradicionais do Alto Minho, os “Gigantones” e os “Cabeçudos”, que também dão para manobrar, embora sejam maiores. Vamos fazer utilização disso pois eles são marionetas tecnicamente. Inclui-se no projecto a recuperação da sua identidade como património nacional e europeu, tal como as marionetas mais antigas da Europa. Assim podemos reclamar o seu valor intrínseco. Senão reivindicamos isso por nós, ninguém o fará. Temos de reivindicar esse valor cultural internacionalmente…

 

VS&C: Essa história da “recuperação da identidade” dos Gigantones e Cabeçudos” parece interessante. Por onde é que vão começar com isso?

SB: No “Caramurú” temos a utilização de gigantones e cabeçudos, e a capacidade estética de atribuir a alma, de dar o “anima” a esses bonecos. A sua inclusão no espectáculo concorrerá para isso e para que as pessoas o entendam. Gigantones e Cabeçudos são marionetas que regressam à sua casa e é esse regresso que queremos, com o devido respeito que se deve. Isto é um trabalho muito importante! Por exemplo, dos bonecos de S. Aleixo, de Évora, ninguém se lembraria não fosse o esforço de um conjunto de gente que lutou para que alçassem esse estatuto.

 

VS&C: E sempre foi conseguida a presença da autarquia neste festival…

SB: Contámos com a presença do presidente Defensor Moura e da vereadora da Cultura Flora Silva. Confesso estar muito sensibilizada porque nos sentimos muito mimados pela autarquia, o que foi muito bom (sorrisos).

 

EDITORIAL - TEMA DE CAPA - IMPRENSA - ARQUIVOS - CONTACTOS

Topo